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Especialistas podem ter descoberto segredo da preservação de cérebro de 2.600 anos

Conhecido como cérebro de Heslington, o fragmento resistiu aos efeitos do tempo e impressiona pesquisadores e cientistas

Caio Tortamano Publicado em 16/01/2020, às 13h00

Imagem meramente ilustrativa de um cérebro
Imagem meramente ilustrativa de um cérebro - Getty Images

Encontrado em 2008 em um sítio arqueológico britânico, os restos do corpo de um homem de 2.600 anos instigaram os pesquisadores envolvidos na descoberta. A maior parte de seu corpo estava deteriorada por conta do tempo, mas uma parte em especial se mostrava surpreendentemente conservada: um pedaço de seu cérebro.

Conhecido como o cérebro de Heslington — devido ao seu local de origem — o preservado órgão talvez tenha tido seu mistério de conservação revelado por pesquisadores da Royal Society, órgão de pesquisa britânico.

As informações obtidas com a pesquisa sugerem que uma enzima (proteínas orgânicas) presente no órgão — chamada protease — teria sido inibida por um composto ainda não revelado, que veio de fora para as estruturas internas do crânio.

Cérebro de Heslington, com quase 2.600 anos de idade / Crédito: Axel Petzold

 

Outras análises sugerem que o ingrediente que bloqueou a ação da enzima tenha se originado até mesmo fora do corpo do cadáver. Os pesquisadores acreditam que o responsável pelo impressionante estado de conservação tenha vindo do ambiente no qual o corpo foi enterrado.

Geralmente a putrefação do corpo humano tem início entre 36 e 72 horas após o falecimento. Entre 5 e 10 anos é esperado que o cadáver se torne um esqueleto. Dessa maneira, só seria possível a preservação do cérebro de Heslington caso um inibidor não deixasse as proteases agirem — deteriorando o órgão ao longo do tempo —, mesmo em altas temperaturas.

Observando a ação dos filamentos de intermediação, responsáveis por fazer conexões neurais no cérebro, os pesquisadores querem saber mais sobre como enzimas podem deteriorar nosso encéfalo e como coibir a ação desses elementos.