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Esqueleto de boxeador revela a vida dura de Londres no século 19

Restos mortais encontrados em um antigo cemitério apresentam sinais de doenças endêmicas, deformidades e violência

Letícia Yazbek e Mariana Ribas Publicado em 06/12/2018, às 14h09 - Atualizado às 15h28

O esqueleto maltratado de um boxeador que viveu no século 19
Wessex Archaeology

Mais de 100 esqueletos, encontrados em um cemitério do século 19 que hoje fica nos arredores do mercado New Covent Garden Market, em Londres, demonstram a vida difícil que os trabalhadores levavam na época. A descoberta foi feita pela empresa Wessex Archaeology.

O estado em que os esqueletos foram encontrados revela confirma tudo o que o romancista Charles Dickens descreve em seus romances: as condições de trabalho entre 1830 e 1850, no fim da Revolução Industrial, eram péssimas. As ossadas demonstram evidências de doenças endêmicas, deformidades, desnutrição e violência.

Entre os achados, os restos mortais de um possível boxeador inquietou os arqueólogos. O esqueleto, que pertenceu a um homem de um metro e oitenta de altura, apresenta um nariz achatado e uma depressão na testa. Segundo os especialistas, essas deformações foram causadas por brigas violentas.

Esqueleto apresenta sinais de violência no crânio e nas mãos Wessex Archaeology

O esqueleto também apresentava sinais de violência nos dedos das mãos. O boxe com as mãos nuas era um passatempo popular na época – o homem morreu antes da adoção das regras que exigiam o uso de luvas de boxe.

Outro esqueleto, de uma mulher que sofreu de sífilis congênita, indica uma vida de trabalho extenuante que exigiu o uso dos braços e ombros. Além disso, cerca de 40% dos restos mortais encontrados pertencem a crianças, o que reflete as altas taxas de mortalidade infantil.