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Esqueleto de vítima de sacrifício é descoberto em construção de antigo palácio na Coreia do Sul

Os restos mortais foram encontrados com ornamentos, ossos de animais e um vaso de barro

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 14/09/2021, às 14h27

Restos mortais de jovem descobertos na Coreia do Sul
Restos mortais de jovem descobertos na Coreia do Sul - Divulgação/Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Cultural de Gyeongju

Desde 2014, pesquisadores vêm realizando escavações no local que abrigou o palácio Wolseong, sede da dinastia Silla, em Gyeongju, Coreia do Sul.

A região revelou uma série de descobertas importantes, como dois esqueletos em 2017, pertencentes a um homem e a uma mulher com por volta de 50 anos.

Recentemente, outro esqueleto foi encontrado, desta vez de uma jovem na casa dos 20 anos. Como relatou o portal SmithSonian, os arqueólogos acreditam que a pessoa enterrada durante a construção da fortaleza foi vítima de sacrifício humano no século 4 d.C.

Em uma coletiva de imprensa sobre o caso, o especialista Jang Gi-myung, do Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Cultural de Gyeongju (GNRICH), explicou que os três corpos, tanto os que foram descobertos em 2017, quanto o mais recente, “estão enterrados na seção construída [antes] da parede principal da muralha”. 

Local que abrigava o palácio coreano / Crédito: Divulgação/Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Cultural de Gyeongju

 

“Com base no fato de estarem localizados próximos à entrada principal junto com os ossos de animais selecionados como se protegessem a parede, [podemos] supor que foram enterrados como parte de um ritual para a construção segura da arquitetura”, completou o estudioso.

Esse foi um dos aspectos levantados pelos cientistas para sugerir que os indivíduos foram sacrificados, no entanto, eles também levaram em consideração a condição dos corpos e o fato de ossos de animais terem sido descobertos perto dos esqueletos, assim como um vaso de barro que pode ter sido usado para beber durante o ritual.

A jovem, que provavelmente pertencia a uma classe baixa, assim como as outras duas pessoas descobertas em 2017, também foi encontrada com ornamentos. Ela usava pulseiras e um colar de contas de vidro. 

“Agora, com a descoberta adicional, não há como negar a prática de sacrifício humano de Silla”, afirmou Choi Byung-heon, arqueólogo da Universidade Soongsil. 

“Depois de terminar a fundação e passar para a próxima etapa da construção da fortaleza, acho que foi necessário endurecer o terreno para que a fortaleza permanecesse firme. Nesse processo, o povo Silla realizou ritos de sacrifício, dando não apenas animais, mas também humanos como sacrifícios”, completou.