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Esqueleto encontrado no Chile pode ser de pescador que se afogou há 5 mil anos

Analisados em um estudo recente, os restos mortais datados do Neolítico contavam com algas e foram enterrados em uma vala comum

Isabela Barreiros Publicado em 03/03/2022, às 12h01

O esqueleto encontrado no sítio arqueológico de Copaca, Chile
O esqueleto encontrado no sítio arqueológico de Copaca, Chile - Divulgação/Pedro Andrade

Cientistas investigaram um esqueleto encontrado no Chile a partir dos restos de medula óssea e algas coletadas nele e chegaram à conclusão de que o indivíduo pode ter sido um pescador que morreu em decorrência de afogamento há 5 mil anos.

Os restos mortais do homem que morreu entre 35 e 45 anos, datados do período Neolítico, foram encontrados em uma vala comum no sítio arqueológico de Copaca, a 1,3 km de Tocopilla e descritos em uma pesquisa publicada em fevereiro na revista científica Journal of Archaeological Science.

Segundo o estudo, foram descobertas evidências de diatomáceas, que são algas encontradas geralmente em água doce e no solo. Como reportou a revista Galileu, a medicina forense considera a identificação de tal material dentro dos ossos como indício de afogamento.

O homem analisado teria engolido água com a planta antes de morrer. No entanto, o óbito teria ocorrido durante um acidente marítimo, não em um episódio catastrófico. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão a partir da análise dos outros esqueletos nas proximidades, que não continham partículas marinhas, provavelmente não morrendo afogados.

Foi realizada ainda uma análise microscópica da medula óssea no indivíduo, que revelou uma série de partículas marinhas, incluindo algas fossilizadas, ovos de parasitas e sedimentos.

Ossos analisados pelos pesquisadores no estudo / Crédito: Divulgação/Genevieve Cain/James Goff

O homem teria feito parte de um grupo caçador-coletor e estaria acostumado a remar e colher mariscos. O estudo da equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, revelou pela primeira vez o afogamento de um humano pré-histórico em água salgada, mostrando como ele morreu há 5 mil anos.

“Podemos ver que o pobre homem engoliu sedimentos em seus momentos finais, e os sedimentos não tendem a flutuar em concentrações suficientes em águas mais profundas", explicou James Goff, especialista líder do estudo em nota.

A expectativa é que a técnica possa ajudar em novas pesquisas: “Existem muitos cemitérios em massa costeiros em todo o mundo onde foram realizados excelentes estudos arqueológicos, mas a questão fundamental do que causou tantas mortes não foi abordada. Agora podemos levar essa nova técnica para todo o mundo e potencialmente reescrever a pré-história”, acrescentou.