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Esqueleto revela ataque de tubarão ocorrido há 3 mil anos no Japão

Publicada na última quarta-feira, 23, a recente pesquisa mostrou que a vítima tinha "ao menos 790 ferimentos profundos"

Pamela Malva Publicado em 25/06/2021, às 08h00

Restos mortais de uma vítima de ataque de tubarão
Restos mortais de uma vítima de ataque de tubarão - Divulgação/ Universidade de Oxford

Em 2019, dados do Museu de História Natural da Flórida, nos Estados Unidos, estimaram que a chance de uma pessoa ser atacada por um tubarão no oceano é de uma em 11,5 milhões. Ainda assim, esse é um medo constante entre os banhistas.

Acontece que o receio desses animais, cujos dentes afiados podem causar calafrios, não é tão recente quanto parece. No passado, além de acontecerem, os ataques de tubarões eram ainda mais assustadores, já que a medicina não era tão avançada.

Na última quarta-feira, 23, pesquisadores da Universidade de Oxford revelaram sua mais nova descoberta. Publicado no jornal científico Journal of Archaeological Science: Reports, trata-se do estudo de uma pessoa atacada por um tubarão há 3 mil anos.

Imagem meramente ilustrativa de um tubarão-tigre / Crédito: Albert kok/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

História de terror

Segundo os pesquisadores envolvidos na intrigante análise, o homem morto pelo tubarão foi encontrado no Japão e provavelmente morreu entre entre os anos 1370 a.C e 1010 a.C. Em seu corpo, centenas de feridas contavam uma história assustadora.

“Ficamos inicialmente confusos com o que poderia ter causado ao menos 790 ferimentos profundos e serrilhados neste homem”, revelou o comunicado dos estudiosos. “Houve tantas feridas e, mesmo assim, ele foi enterrado no cemitério da comunidade, o cemitério de Tsukumo Shell-mound.”

A partir dos restos mortais da vítima, então, os cientistas conseguiram reconstituir e mapear as lesões deixadas no homem, criando um mapa em 3D de seu esqueleto. Uma vez traçado o esquema do corpo, a primeira descoberta surpreendeu os cientistas.

Imagem em 3D do esqueleto da vítima / Crédito: Divulgação/ John Pouncett, Rick J. Schulting e J. Alyssa White

 

Feridas profundas

Segundo mostraram os estudos arqueológicos e forenses, ficou claro que o homem ainda estava vivo quando foi abocanhado pelo tubarão. Os dentes do animal, então, cortaram a pele de seus braços, pernas, da parte da frente do tórax e do abdômen.

Muito além de identificar os 790 ferimentos, os cientistas também estimaram que o tubarão que quase devorou sua vítima poderia ter sido um tubarão-branco (Carcharodon carcharias) ou um tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier).

Ainda mais, descobriu-se que, em determinado momento do confronto com o peixe, a vítima tentou se defender. Como resultado da luta, o homem perdeu a mão esquerda. Por fim, registros das escavações mostraram que a vítima foi enterrada sem a perna direita, enquanto a esquerda estava sob o corpo, mas em uma posição invertida.

Imagem meramente ilustrativa de um tubarão-branco / Crédito: Terry Goss/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

A descoberta

De acordo com a revista Galileu, os restos mortais do homem foram encontrados durante escavações em um sítio arqueológico de Tsukumo. Na época, os exploradores buscavam por esqueletos de caçadores-coletores pré-históricos.

Tendo vivido em meados do Período Jomon, entre 9500 a.C. a 300 a.C., o homem foi atacado pelo tubarão nos arredores do Mar Interior de Seto, que fica ao sul do Japão. Para os pesquisadores, contudo, as condições do episódio continuam misteriosas.

“Não está claro se Nº24 [como a vítima foi chamada pelos estudiosos] estava caçando tubarões ou se o tubarão foi atraído por sangue ou isca de outros peixes”, explicou Mark Hudson, o coautor da pesquisa, ainda de acordo com a Galileu.

“De qualquer forma, esta descoberta não apenas fornece uma nova perspectiva sobre o Japão antigo, mas também é um raro exemplo de arqueólogos sendo capazes de reconstruir um episódio dramático na vida de uma comunidade pré-histórica", finalizou.


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