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Esqueletos de guerreiras da Mongólia reforçam lenda que originou Mulan

As ossadas mostram que mulheres da elite eram treinadas para o combate após o colapso da dinastia Han

Vanessa Centamori Publicado em 27/04/2020, às 10h38

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Divulgação - Mulan, guerreira e princesa da Disney

As lendas mitológicas orientais, que inspiraram a guerreira Mulan, podem ter um fundo de verdade, segundo estudo, realizado por uma dupla de pesquisadoras dos Estados Unidos.

A maioria dos historiadores acredita que a história da princesa da Disney foi inspirada por guerreiras históricas, as Xianbei , que eram um antigo grupo nômade que habitava as estepes da Eurásia oriental, onde hoje é a Mongólia. Então, foi justamente essa a região investigada pelas pesquisadoras.

Elas analisaram 29 esqueletos provenientes de locais de enterro mongóis, sendo que três deles eram de mulheres Xianbei e outros dois de guerreiras de outra origem. As arqueólogas descobriram marcas nos ossos, onde um dia havia músculos.

Isso indicou que as mulheres teriam sido mortas no mesmo estilo em que morrem lutadoras. Além disso, sinais nos esqueletos mostraram que muito provavelmente as falecidas praticavam arco e flecha. 

(Da esquerda pra direita): restos mortais de mulher e marido, na província de Orkhon, Mongólia / Crédito: Universidade Estadual da Califórnia

 

Havia ainda alguns sinais de que elas andavam a cavalo, mas nenhuma evidência de trauma foi comprovada, segundo a pesquisadora Christine Lee, da Universidade Estadual da Califórnia. De acordo com a especialista, isso se explica pois as guerreiras faziam parte da elite.

Apesar de serem altamente treinadas em artes marciais e artesanato de guerra, as mulheres identificadas não participaram de combates corpo a corpo - diferente do que ocorria com outros guerreiros mongóis. 

Outra pista que aponta que elas eram de classes mais favorecidas é onde os esqueletos estavam enterrados. As ossadas foram descobertas em um monte especial, em forma de tumba, com pelo menos 6 metros de profundidade, com várias antecâmaras. 

Lee aponta que o papel das chinesas foi expandido devido ao aumento da instabilidade política e da violência social, que durou séculos após o colapso da dinastia Han, da China, em 220 d.C.