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Esqueletos de pessoas vitimadas pela peste bubônica revela característica curiosa

A descoberta, realizada por pesquisadores da Universidade de Cambridge, foi publicada na última quinta-feira, 17, no jornal científico Cambridge Core

Giovanna Gomes, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 23/06/2021, às 10h44

Esqueletos de vítimas da peste
Esqueletos de vítimas da peste - Divulgação/Cessford. et. al/Cambridge Core

Ao analisar esqueletos de vítimas da peste bubônica no século 14, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge percebeu uma maneira diferente de sepultamento para o período: todas as ossadas estavam em covas individuais.

O jeito cuidadoso e, de certa forma, peculiar, como foram enterradas intrigou os arqueólogos, uma vez que entre 40 e 60% da população europeia morreu em razão da doença, e o habitual era que fossem colocadas em valas comuns.

As descobertas foram publicadas na última quinta-feira, 17, no jornal científico Cambridge Core.

Como os cientistas identificaram a causa das mortes?

Conforme explicam os especialistas, a peste bubônica é causada por uma bactéria chamada Yersinia pestis, sendo transmitida para o ser humano através de pulgas presentes em pequenos animais, como ratazanas.

A infecção pelo microorganismo causa sintomas visíveis como a formação de nódulos pelo corpo, além de febre, calafrios, fraqueza e dificuldade para respirar.

Restos mortais de vítimas da doença / Crédito: Divulgação/Cessford. et. al/Cambridge Core

 

Segundo o estudo, esta mesma bactéria foi identificada pelos especialistas a partir do DNA do microorganismo, que estava presente em amostras de dentes das ossadas.

Esqueletos analisados

Os pesquisadores do projeto “After the Plague” (“Após a Praga”, em português) analisaram ao todo 197 esqueletos de pessoas que morreram entre os anos de 1349 e 1561 d.C.

Os restos mortais encontrados foram sepultados em cinco locais diferentes de Cambridge, entre os quais estava um cemitério paroquial rural.

Mas assim que identificaram a causa da morte daqueles indivíduos, algo chamou a atenção dos cientistas: os enterros não haviam sido realizados em valas comuns.

Na ilustração, uma pessoa sofre com a peste bubônica / Crédito: Divulgação/Mark Gridley/Universidade de Cambridge

 

Enterros individuais

Como afirma em comunicado Craig Cessford, principal autor do estudo,"esses enterros individuais mostram que mesmo durante os surtos de peste, as pessoas eram enterradas com considerável cuidado e atenção. Isso é mostrado principalmente no convento onde pelo menos três desses indivíduos foram enterrados na sala do capítulo (onde se reúnem monges)”. 

Cessford ainda chama nossa atenção para o caso de um indivíduo que foi sepultado com muito cuidado na Igreja All Saints, localizada centro de Cambridge.

Segundo o autor do estudo, o cuidado “contrasta com a linguagem apocalíptica usada para descrever o abandono desta paróquia em 1365”, quando foi relatado que o local “estava parcialmente em ruínas e os ossos de cadáveres expostos a bestas", conclui.

Pintura retratando pessoas enterrando seus entes queridos que foram vítimas da peste / Crédito: Domínio Público/Pierart dou Tielt

 

"Nosso trabalho demonstra que agora é possível identificar indivíduos que morreram de peste e receberam sepultamentos individuais", considerou Cessford. "Isso melhora muito nossa compreensão da praga e mostra que mesmo em tempos incrivelmente traumáticos durante as pandemias anteriores, as pessoas tentaram arduamente enterrar os falecidos com tanto cuidado quanto possível”.

Conforme afirma a pesquisa, somente no ano de 1349, durante alguns meses, entre 2,3 a 3,5 mil pessoas morreram de peste bubônica na cidade de Cambridge. Os restos, segundo os cientistas, foram enterrados em dezessete igrejas paroquiais, dois priorados e cinco conventos.

Confira o estudo completo aqui!


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