Notícias » Arqueologia

Esqueletos pintados: Estudo analisa curioso ritual funerário de 9 mil anos

Prática peculiar era realizada pelos humanos que viveram no assentamento mais antigo do mundo

Ingredi Brunato, sob supervisão de Wallacy Ferrari Publicado em 21/03/2022, às 09h45

Fotografia de um dos esqueletos analisados
Fotografia de um dos esqueletos analisados - Divulgação/ Marco Millela /Çatalhöyük Research Project

Um grupo de pesquisadores suíços buscou analisar a prática de pintar ossos humanos realizada pelos moradores de Çatalhöyük, a cidade neolítica mais antiga que conhecemos atualmente. Suas conclusões foram publicadas pela revista científica Scientific Reports no início deste mês de março. 

O assentamento humano, que é datado de 6700 a.C, fica localizado na Turquia e possui uma série de restos mortais parcialmente tingidos com pigmentos vermelhos ou azul-esverdeados. Muitos deles teriam sido desenterrados e enterrados novamente diversas vezes, períodos durante os quais poderiam ter ganhado suas cores. 

Fotografia de um dos esqueletos analisados / Crédito: Divulgação/ Jason Quinlan /Çatalhöyük Research Project

Conforme divulgado pelo estudo e repercutido pelo Phys.org, nem todas as covas traziam esqueletos pintados, porém também não parecia existir nenhum critério de seleção em particular para escolher os que eram marcados pela tinta, uma vez que eles variavam em idade e sexo. 

Quando à paleta de cores encontrada, um corante de tom ocre avermelhado era o mais frequentemente utilizado. 

Um detalhe interessante é que um pigmento feito de cinábrio (um mineral de cor vermelha) foi encontrado mais frequentemente em restos mortais pertencentes a mulheres, enquanto o azul-esverdeado era mais usado para pintar ossos de indivíduos do sexo masculino. 

Fotografia de parede pintada no assentamento neolítico / Crédito: Divulgação/ Jason Quinlan /Çatalhöyük Research Project

Outra possível relação feita pelos cientistas diz respeito às construções da cidade neolítica, que também são pintadas com as mesmas tintas. 

"Esses resultados revelam vislumbres interessantes sobre a associação entre o uso de corantes, rituais funerários e espaços de vida nessa sociedade fascinante. Quando enterravam alguém, [os moradores] pintavam também as paredes da casa”, especulou o arqueólogo Marco Millela, um dos autores da pesquisa. 
Fotografia do crânio de um dos esqueletos analisados / Crédito: Divulgação/ Marco Millela /Çatalhöyük Research Project

Um dos próximos objetivos dos especialistas é entender porque alguns restos mortais eram tingidos e outros não, buscando atribuir relações de valores sociais da época para descobrir se havia algum tipo de escolha para a coloração.

+Confira o estudo completo da descoberta clicando aqui