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Estatueta com rosto tatuado e máscara de osso é descoberta em cemitério coletivo com ritual nunca antes visto

Na Sibéria, o objeto de 5 mil anos foi encontrado no ombro do esqueleto de uma mulher, “escoltando-a” para a vida após a morte

Isabela Barreiros Publicado em 05/10/2020, às 15h24

A estatueta descoberta na Sibéria
A estatueta descoberta na Sibéria - Divulgação/Instituto Novosibirsk de Arqueologia e Etnografia

Escavações realizadas no distrito de Vengerovsky, localizado na Sibéria Ocidental, revelaram uma estatueta de argila muito peculiar em um cemitério coletivo. O objeto foi descoberto no ombro do esqueleto de uma mulher, que pode ter morrido há mais de 5 mil anos.

O mais curioso do artefato é que, em seu rosto, há uma faixa que representa uma tatuagem, além de ele ter sido encontrado com uma máscara feita de osso. Ele também possui um aprofundamento em seu tronco, indicando que havia algo orgânico dentro do boneco. Mais análises serão necessárias para identificar a substância.

Crédito: Divulgação/Instituto Novosibirsk de Arqueologia e Etnografia

 

A estatueta estava disposta de uma maneira, também, distinta. Ela foi deitada de bruços e sua cabeça foi quebrada e virada para olhar para cima. De acordo com os pesquisadores envolvidos na descoberta, esse tipo de ritual nunca havia sido visto anteriormente na região. 

“Nunca encontramos nada parecido, apesar de nosso amplo conhecimento dos rituais funerários da cultura Odinov. A mulher deve ter sido uma pessoa incomum para ter uma estatueta assim 'escoltando-a' para a vida após a morte”, explicou Vyacheslav Molodin, líder das escavações.

Crédito: Divulgação/Instituto Novosibirsk de Arqueologia e Etnografia

 

Ele afirmou que “a mulher foi colocada para descansar em cima de um homem, deitada de bruços para que ela o encarasse”. “Este é sem dúvida o achado da temporada, o achado que qualquer museu do mundo, do Hermitage ao museu do Louvre, adoraria exibir”, disse.

“Considerando que a descoberta tem 5.000 anos, você pode imaginar como é importante entender as crenças dos antigos povos que povoavam a Sibéria”, concluiu o pesquisador.