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Estudante de 14 anos é vítima de ataques racistas em BH

‘Saudades de quando preto era escravo’ e ‘nem sabia que preto estudava’ foram algumas das ofensas redigidas ao menino

Fabio Previdelli Publicado em 20/12/2021, às 14h15

Ofensas racistas redigida à estudante em BH
Ofensas racistas redigida à estudante em BH - Divulgação/ Arquivo Pessoal

Na última semana, um estudante de 14 anos do Colégio Cristão Ver, em Belo Horizonte, foi alvo de ataques racistas por seus colegas de classe. Segundo Alexandre, pai da vítima que não teve sua identidade revelada, as agressões começaram quando um grupo de whatsapp foi criado para que os jovens estudassem o conteúdo de uma prova que seria aplicada. 

Alexandre diz que seu filho passou a ser excluído pelos colegas. As mensagens racistas começaram depois que ele deixou o grupo de mensagens. “Que bom que o ‘neguin’ não tá, já não aguentava mais preto naquele grupo”, disse o primeiro aluno. 

Mensagens dirigidas ao estudante/ Crédito: Divulgação/ Arquivo Pessoal

 

Nem sabia que preto estudava”, completou outro. 

Além do mais, segundo relatou o UOL, após o menino deixar o grupo, o nome do mesmo foi alterado para “Pilantrinhas (sem neguin)”. As ofensas, porém, não param por aí. Em certo momento, outro aluno diz que “nem sabia que preto podia ter celular”.

“Também não. Pensei que os preto era tudo pobre”, respondeu outro. As ofensas continuam com um “sdds [saudades] de quando preto só era escravo” e “e sempre trabalhava”.

Mensagens dirigidas ao estudante/ Crédito: Divulgação/ Arquivo Pessoal

 

O pai do menino disse que procurou a escola após saber das ofensas. As mensagens foram printadas por um amigo do estudante e enviadas para ele. “Eu fiquei estarrecido, o dia acabou para mim”, diz Alexandre

Ele procurou a coordenação pedagógica da escola, que se solidarizou com o caso e marcou uma reunião. “Aconteceu ontem [18, sábado] pensei que seria apenas eu, só que os pais dos outros alunos também estavam”.

Nome do grupo também foi alterado/ Crédito: Divulgação/ Arquivo Pessoal

 

Alexandre alega que, durante o encontro, os responsáveis por outros alunos tentaram minimizar os insultos. Ele também recordou que, no início do mês passado, um dos meninos que enviou mensagem no grupo tinha ido até sua casa para um churrasco. 

“Eles se desculparam, mas o leite já foi derramado”, disse Alexandre, que conta que seu filho está traumatizado com o episódio, apresentando sinais de depressão. "Eles bateram muito forte não só na minha família, mas no meu filho também. Hoje [ele] não foi disputar um campeonato, não sai de casa e não está comendo", completa.