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Estudante negro é morto durante ação policial e episódio causa indignação

Segundo registros da Polícia Militar, tudo aconteceu no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, na segunda-feira, 28

Pamela Malva Publicado em 30/06/2021, às 12h00

Imagem meramente ilustrativa de viatura policial
Imagem meramente ilustrativa de viatura policial - Divulgação/Pixabay/diegoparra

Na última segunda-feira, 28, um estudante negro de 18 anos foi morto durante uma ação da Polícia Militar no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte (MG). Morador da comunidade, o rapaz levou um tiro nas costas e outro na cabeça, segundo o UOL.

Um Boletim de Ocorrência registrado logo após o ocorrido mostra que Ryan Pablo da Silva Martins Ribeiro foi socorrido pelos militares, mas não sobreviveu aos ferimentos e morreu a caminho do Hospital João XXIII. O momento em que o jovem foi levado pela viatura policial, inclusive, foi gravado pelos familiares do rapaz, que assistiam a cena.

Registros da Polícia Militar, por outro lado, declaram que dois agentes realizavam a operação quando cinco pessoas começaram a correr. Nesse momento, os moradores foram abordados pelos policiais e, segundo a polícia, houve certa resistência.

Nos documentos, a PM pontuou que seus agentes estavam em “desvantagem”, considerando que “cinco pessoas contra dois PMs e que, por isso, toda a ação foi em forma de defesa”. Junto dos jovens, os policiais ainda encontraram drogas e rádios de comunicação, sendo que quatro dos moradores não tiveram suas identidades reveladas.

Logo depois da abordagem, contudo, uma briga entre os cinco jovens e os militares começou e, ainda de acordo com a versão da polícia, Ryan Pablo tentou pegar a arma de um dos agentes. Foi assim que os dois tiros foram disparados na direção do rapaz.

Em nota oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais afirmou que um Inquérito Policial foi instaurado, sendo que “as investigações estão em andamento pelo Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa, em Belo Horizonte". A corporação, contudo, não deixou claro se o agente responsável pelos disparos, que foi preso após a operação, já foi liberado ou se segue detido.

Busca por justiça

Em documento enviado ao UOL, a Associação “Mulheres da Quebrada”, que representa os moradores do Aglomerado da Serra, cobrou o esclarecimento do trágico episódio através de uma porta-voz que preferiu não ser identificada.

"Viver na favela é lutar pela sobrevivência. Hoje, acordamos mais tristes, mais um jovem negro foi morto no Aglomerado da Serra”, declarou a nota. “Um jovem de 18 anos, cheio de sonhos e de planos, é a nova vítima do Estado e seu braço armado, que sobe as favelas com a intenção de eliminar a população pobre e negra."

"Ryan não é o primeiro, lembramos de Renilson, Jeferson e Helenilson, jovens assassinados de forma bárbara, sem direito de defesa, em seus territórios”, pontuou o posicionamento, lembrando de outras vítimas. “É preciso dar um basta no abuso policial aqui e em todas as favelas. Estaremos unidas para denunciar o projeto de segurança pública que insiste em travar uma guerra contra os pobres e favelados."

Frente ao ocorrido, e com a ajuda da associação, o UOL buscou falar com os familiares de Ryan, mas nenhum dos parentes quis dar qualquer depoimento. Segundo a “Mulheres da Quebrada”, contudo, a família está bastante abalada e busca por justiça.