Notícias » Israel

Estudiosos israelenses descobrem revisões no exemplar mais antigo da Bíblia

O texto conta com rasuras e outras correções que afetaram o sentido de frases presentes na edição moderna

Caio Tortamano e Penélope Coelho Publicado em 15/05/2020, às 07h00

Foto da Bíblia Sagrada
Foto da Bíblia Sagrada - Divulgação

Estudiosos da Academia de Língua Hebraica, estão analisando famoso o Códice de Leningrado — um dos mais antigos exemplares da Bíblia hebraica, ou o velho testamento.

Os estudiosos perceberam centenas de correções históricas no texto de Leningrado, e pretendem agora alinhar a obra antiga com o que temos conhecimento e acesso atualmente. A descoberta revela que já na época da escrita do Códice, por volta de mil anos atrás, haviam diversas versões do livro sagrado.

O Códice, apesar do nome, foi escrito no Egito mas descoberto na Rússia, e é considerado a mais antiga e completa versão da Bíblia existente hoje em dia. Historicamente, essa versão só não é mais prestigiada que o Códice de Aleppo — embora mais antiga, tem algumas páginas faltantes.

Diferenças

Nessa nova pesquisa os estudiosos puderam analisar uma diferença clara entre o texto antigo  e o atual como conhecemos hoje na bíblia. Para os pesquisadores algo que chamou a atenção foi a história de Isaac, em gêneses, onde encontraram uma nova versão da passagem em que Abraão quase sacrificou seu filho Isaac. Nela, uma palavra corrigida adicionava um sentido diferente ao avistamento de um cordeiro.

No texto, um anjo intervém na morte de Isaac quando seu pai Abraão oferece um carneiro para substituir o sacrifício da vida de seu filho. Neste contexto, os pesquisadores encontraram a palavra hebraica “ahar” — que na bíblia foi substituída como “depois”. 

Para os estudiosos isso abre uma nova porta para a interpretação do texto, atualmente acredita-se que Abraão viu o carneiro somente um tempo depois de ter chegado no local do sacrifício, porém, isso pode ser reinterpretado como se o animal já estivesse ali, atrás do pai de Isaac.

Foi descoberto que essa versão do texto de gêneses já existia na Bíblia antigamente, mas teria sido apagada e reformulada. Com a pesquisa, os estudiosos encontraram esse trecho novamente no Códice de Leningrado.

Acredita-se que essas mudanças aconteciam para que os textos pudessem ser entendidos por novas gerações. O objetivo dos pesquisadores da Língua Hebraica agora é adicionar esses achados a uma espécie de dicionário histórico, incluindo palavras originais encontradas, correções e adaptações atuais.

O documento de origem egípcia é estudado pela Academia de Língua Hebraica, especialmente pelo Dr Alexey Yuditsky, que lidera a seção de literatura antiga. Ele afirmou que “o códice é um manuscrito, ou seja, alguém corrigiu em cima de um outro texto já estabelecido, podendo abrir margens para erros.”.