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Estudo americano revela como os trilobitas vieram à extinção

A cientista Melanie Hopkins acredita que esses animais resistiram a duas extinções em massa antes de desaparecerem por completo

Giovanna de Matteo Publicado em 16/11/2020, às 12h23

Reconstituição de trilobitas
Reconstituição de trilobitas - Wikimedia Commons

Os trilobitas são artrópodes gigantes que viveram na Terra durante o período Paleozoico. Eles evoluíram e chegaram a ter milhares de espécies. O habitat era marinho, onde prosperaram e se reproduziam enquanto procuravam alimentos.

Porém, há 252 milhões de anos, os trilobitas tiveram uma queda populacional que levou ao fim da espécie. Agora, milhões de anos depois, um estudo acredita ter identificado a causa do desaparecimento desses animais a partir dos seus registros fósseis.

De acordo com Melanie Hopkins, curadora de paleontologia do Museu Americano de História Natural,em Nova York, a extinção do trilobita corresponde ao mesmo tempo com a extinção do final do período Permiano (extinção Permiano-Triássica), que ficou conhecido como o terceiro maior evento de extinção em massa no mundo.

Acredita-se que erupções vulcânicas na Sibéria foram um dos fatores que fez com que o habitat se transformasse por inteiro, não podendo mais suportar a vida de algumas espécies.

Fotografia do fóssil de trilobita localizado na Austrália / Crédito: Patrick Smith / Malte Ebach

 

Durante 2 milhões de anos essas erupções expeliram quantidades avassaladoras de lava, levando para a atmosfera dióxido de carbono, o que resultou em uma acidificação dos oceanos, logo, devido à acidez, alguns animais marinhos morreram, sendo que 95% das espécies marinhas vieram a desaparecer. Essa teoria foi publicada em 2010 publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences

No entanto, os trilobitas já haviam registrado quedas populacionais antes desse evento, o que sugere também outro fator que abriu o caminho à sua extinção. "Quando você chega a essa extinção em massa, não há muitos trilobitas por aí", disse Hopkins ao Live Science.

A cientista acredita que, durante o Período Ordoviciano, há 485 milhões de anos atrás, a competição e a predação começaram a surtir efeito. Neste momento, "muitas das adaptações [dos trilobitas] estão claramente relacionadas à ecologia", declarou ela. Dessa maneira, alguns trilobitas desenvolveram características que podem tê-los favorecido no oceano.

Porém, um pouco mais à frente, a primeira extinção em massa do mundo ocorreu devido um resfriamento global e uma diminuição do nível do mar, de acordo com o Departamento de Ciências da Terra, da Universidade do Sul da Califórnia. Dessa maneira, milhares de espécies de trilobitas decaiu para centenas, segundo o Museu Americano de História Natural.

Sabendo disso, Hopkins afirma que os trilobitas "nunca se diversificaram ou atingiram os números que alcançavam anteriormente". A competição selvagem também teve sua importância, impedindo a recuperação da população.

Já na segunda extinção em massa, o Devoniano Superior, houve uma desaceleração da evolução e diversificação das espécies, o que fez com que sobrasse apenas uma família na classe Trilobita que sobreviveu à adaptação: os Proetidae. Por fim, na terceira extinção, o antigo Proetida não conseguiu resistir aos eventos do aquecimento global, sumindo para sempre da face da terra.