Notícias » Pandemia

Estudo analisa as consequências da Praga de Justiniano no império romano

Pesquisadores nos Estados Unidos utilizaram de modelo matemático para analisar a pandemia

Penélope Coelho Publicado em 05/05/2020, às 10h43

À esquerda traje utilizado por médicos medievais e à direita retrato de Justiniano
À esquerda traje utilizado por médicos medievais e à direita retrato de Justiniano - Creative Commons

A Praga de Justiniano foi uma doença ocorrida no reinado do imperador Justiniano I, causada pela peste bubônica. Segundo fontes históricas, estima-se que metade da população da época foi morta pelo vírus, porém, os dados nunca foram consistentes por falta de documentos oficiais.

Como consequência, pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, decidiram analisar os impactos reais da praga durante o Império Romano. O modelo escolhido para essa análise foi a matemática. Os cientistas estudaram os impactos na cidade de Constantinopla, capital do Império Romano, em 542, com base em documentos registrados na época.

Segundo o artigo publicada pelo periódico PlosOne, a pesquisa revelou que a Praga de Justiniano afetou o Império Romano de diversas maneiras. De acordo com os pesquisadores, a variação nos padrões ecológicos e sociais da região, como o clima e a densidade populacional, influenciaram muito.

Anteriormente, fontes primárias afirmavam que a peste teria matado até 300 mil pessoas na cidade, com uma população de aproximadamente 500 mil habitantes. No entanto, o novo estudo mostra que não existem informações precisas sobre o surto.

"Nossos resultados sugerem fortemente que os efeitos da Praga de Justiniano variaram consideravelmente entre diferentes áreas urbanas na antiguidade tardia", conta Lee Mordechai, um dos participantes da pesquisa.

Conclusões 

“Dado o o que sabemos sobre a peste, seria altamente improvável que um surto tivesse a magnitude do impacto descrito pelas fontes primárias. [...] nossos resultados sugerem que a Peste Justiniana se comportou de maneira diferente do que o atual consenso afirma e, assim, contribui para uma discussão mais ampla do impacto causado.”, afirmaram os autores do estudo.

Pela primeira vez, um modelo matemático está sendo utilizado para investigações sobre a pandemia. Durante o surto de coronavírus, esse tipo de estudo tem sido tocante para os pesquisadores. Através de parâmetros, eles analisaram alguns pontos específicos, como, por exemplo, a transmissão do vírus e número de mortes.

 “Dado que há pouca informação quantitativa nas fontes primárias da Praga, esta foi uma oportunidade emocionante para pensar criativamente sobre como poderíamos combinar o conhecimento atual da etiologia da Praga com descrições dos textos históricos", revela Lauren White, líder da pesquisa.