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Estudo aponta que 40% da Amazônia já pode se transformar em savana

Pesquisadores de Alemanha, Holanda e Suécia apontam que aumento da emissão de gases causadores do efeito estufa podem fazer com que região perca sua resiliência natural

Fabio Previdelli Publicado em 06/10/2020, às 10h35

Imagem das queimadas na Amazônia
Imagem das queimadas na Amazônia - Divulgação/ Greenpeace/ Victor Moriyama

De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Alemanha, Holanda e Suécia — que foi publicado ontem, 05, na Nature Communications —, uma grande área da Amazônia está prestes a ultrapassar o chamado tipping point, ou seja, quando o território de um bioma sofre danos que não podem ser mais reversíveis. Os especialistas apontam que, inclusive, essa área é maior do se imaginava anteriormente.

Os autores do estudo elucidam que regiões de florestas tropicais são muito mais suscetíveis a mudanças em sua frequência de chuvas, o que significa que esses extensos períodos de seca podem transformar esse bioma florestal em uma savana.

Em nota liberada para a imprensa, Arie Staal, líder do estudo, comenta: “Em cerca de 40% da Amazônia, a chuva está em um nível que a floresta poderia existir nos dois estados: floresta tropical ou savana”.

Como se já não bastasse, o pesquisador alerta que as previsões são ainda mais desanimadoras, afinal, as emissões de gases causadores do efeito estufa podem fazer com que a situação na região seja ainda mais alarmante.

Para chegarem nesses resultados, os pesquisadores analisaram a estabilidade de florestas tropicais em diversos continentes: além das Américas, é claro, o estudo também foi conduzido na África, Ásia e Oceania. Utilizando dados da atmosfera e modelos de teleconexão, eles simularam quais seriam as consequências se esses biomas deixassem de existir. Afinal, eles cresceriam novamente ou não?

“A dinâmica das florestas tropicais é interessante. Enquanto elas crescem e se espalham por uma região isso afeta a chuva — essas florestas criam sua própria chuva porque as folhas evaporam água, que cai como chuva depois. Chuva significa menos fogo, que leva a mais florestas. Nossas simulações captaram essa dinâmica”, explica Staal.

Porém, se as emissões desses gases continuarem aumentando ao longo dos anos, o resultado seria que mais áreas da Amazônia perderiam sua chamada resiliência natural, culminando em regiões instáveis e, sendo assim, mais propensas a secarem e se transformarem em um ecossistema mais seco, como a savana.

“Nós entendemos que as florestas tropicais em todos os continentes são muito sensíveis às mudanças globais e podem perder rapidamente sua habilidade de se adaptar”, comenta Ingo Fetzer, pesquisador do Centro de Resiliência de Estocolmo, na Suécia. “Uma vez perdidas, sua recuperação vai levar muitas décadas para retornar ao estado original. E considerando que as florestas tropicais abrigam a maioria das espécies, elas seriam perdidas para sempre.”