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Estudo aponta que apenas 3% dos ecossistemas continuam intocados pela humanidade

“No início, eu imaginei que seria de 8 a 10 por cento. Isso apenas mostra o grande impacto que tivemos”, disse pesquisador

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 21/04/2021, às 08h00

Imagem de queimadas na Amazônia
Imagem de queimadas na Amazônia - Divulgação/ Greenpeace/ Victor Moriyama

Uma pesquisa publicada na revista científica Frontiers in Forests and Global Change revelou dados alarmantes sobre os impactos da atividade humana na natureza. Conforme divulgado pelo portal Smithsonian, o estudo concluiu que cerca de 97% dos ecossistemas foram alterados por humanos.

Para chegar à conclusão de que apenas 3% da Terra permanece “ecologicamente intacta”, os cientistas usaram três medidas de integridade ecológica. Eles analisam a integridade do habitat, da fauna e a funcional, que analisa quantas espécies essenciais para a saúde de um ecossistema foram extintas.

O estudo investigou grandes faixas de terra para garantir que espécies de grande alcance fossem analisadas, cada uma medindo cerca de 6.200 quilômetros. O exame não incluiu a Antártica. Foram combinados dados já existentes sobre a integridade de habitats e novas informações sobre espécies perdidas.

“O trabalho de campo realizado por muitas pessoas mostra claramente que há espécies que foram perdidas nessas áreas de habitat intacto — carnívoros grandes e médios e herbívoros grandes e médios em particular”, explicou o autor do estudo Andrew Plumptre, diretor Key Biodiversity Areas Secretariat, conforme repercutido pelo Gizmodo

Em relação aos ambientes ainda não danificados, os pesquisadores perceberam que a maioria está localizado ao norte do planeta, mais especificamente ao longo do bioma da tundra, na Groenlândia e no Canadá, por exemplo. No entanto, eles apontam que ainda existem pequenas regiões intocadas em outros locais, como a floresta amazônica

Plumptre afirmou que o resultado “foi muito menor do que esperávamos”. “No início, eu imaginei que seria de 8 a 10 por cento. Isso apenas mostra o grande impacto que tivemos”, completou. 

Os cientistas apontaram ainda uma questão importante, provando que ainda há solução: cerca de 20% dos ecossistemas poderiam ser recuperados caso algumas espécies (até cinco) fossem reintroduzidas ao ambiente.

Consideradas ‘espécies-chave’, elas poderiam trazer esses ambientes à sua integridade ecológica ao realizarem suas funções essenciais.