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Estudo confirma datação das bolas de couro mais antigas da Eurásia

Os artefatos milenares foram localizados em um túmulo de cavaleiro chinês na década de 1970, mas apenas agora sua origem foi identificada

Alana Sousa Publicado em 17/11/2020, às 12h00

Bolas de couro encontradas na China
Bolas de couro encontradas na China - Divulgação/Patrick Wertmann

Novos detalhes sobre o estudo liderado pelo arqueólogo Patrick Wertmann, da Universidade de Zurique, que analisa bolas de couro milenares encontradas em túmulos de cemitérios da China, foram publicados na revista científica Journal of Archaeological Science: Reports e divulgados pelo site Atlas Obscura.

As sepulturas, localizadas na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, China, foram descobertas em 1970, mas apenas agora, 50 anos depois, os pesquisadores conseguiram datar, com certeza, os artefatos que lá se encontravam. Em um túmulo de um homem que morreu por volta dos 40 anos, uma peça em especial chamou atenção, tratava-se de uma calça inusitada. Com uma virilha mais desgastada, logo os estudiosos concluíram que aquele era um cadáver de um indivíduo que passava muito tempo em cima de um cavalo; além da vestimenta, botas vermelhas de couro também estavam na cova.

A bola de couro com o interior aberto / Crédito: Divulgação/Patrick Wertmann

 

No entanto, algo mais fascinante estava para ser desenterrado: uma bola de couro, com tamanho aproximadamente de 9,2 cm de diâmetro. Após muitas análises, a equipe de Zurique datou o objeto em cerca de 3 mil anos. Seu interior é repleto de lã e cabelo, embrulhada em couro. “Agora podemos confirmar que essas três bolas de couro de Yanghai são as bolas de couro mais antigas da Eurásia”, explica Wertmann.

Por se tratar de uma região que abrigou muitos cavaleiros, o arqueólogo sugere que essas pessoas também encontraram uma forma de se divertir — ou treinar — usando a bola improvisada. Apesar de antiga, o especialista aponta para a sofisticação do item: “Você poderia comparar essas bolas de couro de Yanghai com as bolas de beisebol modernas”, diz Patrick, o principal autor do estudo.