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Estudo de Oxford aponta que Brasil possui 'tropa cibernética' de desinformação nas redes sociais

O país foi classificado como de capacidade média em interferência política, ao lado de Cuba, Síria, Turquia e Armênia

Wallacy Ferrari Publicado em 04/02/2021, às 07h51

Imagem ilustrativa de teclado projetando fake news
Imagem ilustrativa de teclado projetando fake news - Divulgação

A Universidade de Oxford divulgou uma pesquisa em janeiro explicando o cenário de desinformação sobre política nas redes sociais de 81 países, incluindo o Brasil, em 2020. O estudo analisou o impacto e propagação de iniciativas promovidas por agências governamentais e instituições privadas sobre as ações de mobilização política.

37 países foram listados com uma influência notável de desinformação industrializada, termo que resume as ações orquestradas com algum tipo de centralização, seja com recursos financeiros, financiando manifestações, ou, com a existência de uma coordenação central.

O Brasil também esteve presente no seleto grupo, tendo interferências semelhantes às da Síria, Turquia, Armênia e Cuba, com ações promovidas em tempo integral para a manipulação em mídias sociais. Uma das pesquisadoras do estudo, Antonella Perini, afirmou em entrevista ao Estadão que as chamadas "tropas cibernéticas" brasileiras possuem capacidade média de interferência.

"As mais utilizadas estratégias no Brasil foram mensagens pró-governo, ataques à oposição e polarização. [...] Mais frequentemente, os ataques são voltados contra jornalistas e meios de comunicação que são críticos ao governo, contra políticos e contra funcionários públicos”, afirmou a pesquisadora.

Outros 17 países foram ranqueados na lista como tropas de "alta capacidade" de desinformar, incluindo os Estados Unidos, China, Índia, Rússia, Venezuela e Iraque, sendo frequentemente observados por disseminação de notícias falsas por contas robóticas e campanhas organizadas.