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Estudo de rastros humanos em caverna na Itália pode mudar nossa compreensão sobre a sociedade na Idade da Pedra

Rastros de pés e mãos estudados por equipe apontam formas de convivência e atividades inovadoras entre homens da caverna

André Nogueira Publicado em 14/05/2019, às 14h00

Caverna de Toirino
Caverna de Toirino - Reprodução

Rastros de seres humanos rastejando foram encontrados por cientistas em um complexo de cavernas na Itália. A descoberta abre uma importante discussão sobre a longevidade da atividade cultural e de equipe entre os seres humanos da Idade da Pedra, especialmente na exploração de territórios desconhecidos.

O estudo foi realizado por pesquisadores da Itália, Argentina e África do Sul na caverna de Bàsura, em Toirano (explorada e conhecida desde os anos 1950) e promovido pelo Escritório de Patrimônio Arqueológico da Ligúria.

Os rastros, datados de cerca de 14.000 anos atrás, passaram por análises das mais diversas naturezas e técnicas, pelos mais diversos setores da equipe multidisciplinar, na intenção de compreender melhor as formas de convívio e a ação dentro daquele sítio, assim como a natureza da exploração de cavernas por parte desses seres humanos.

Procura-se, por exemplo, determinar o número de pessoas que entraram na caverna, as idades, gêneros, formas de rotina e tipo de rotas tomadas dentro do sistema de cavernas.

Captação digital para modelagem 3D da caverna / Crédito: Divulgação

 

Na análise, a equipe estudou 180 faixas de dentro da caverna, encontrando marcas de pé e mão em piso argiloso. Aplicando métodos de datação e escaneamento, a equipe determinou a presença de cinco indivíduos naquele sítio, incluindo dois adultos, um adolescente entre 10 e 12 anos e duas crianças com menos de seis anos, descalços e portando bastões de madeira acesos como forma de iluminação.

A equipe relatou que tais dados indicam uma participação ativa das crianças pequenas no grupo, naquela época. Isso mesmo se tratando de atividades considerável e aparentemente perigosas.

A análise relatou também, pela primeira vez, evidências de rastejamento e marcas de pés em um túnel baixo (rota usada para acessar o interior do complexo de cavernas), demonstrando atividade de exploração. Estudos anatômicos das pegadas sugerem que essas pessoas exploravam os caminhos de pedra com as pernas nuas.

Reconstituição da forma de exploração do complexo / Crédito: Divulgação

 

A perícia técnica das marcas de mãos da caverna apontaram dois grupos principais: as marcas intencionais e as não-intencionais. As últimas seriam relacionadas simplesmente à exploração espontânea das cavernas, enquanto as primeiras sugerem o uso de intenções simbólicas e atividades sociais que podem ter ocorrido no interior das câmaras, como contação de histórias e noções de marcação no tempo. Os caçadores-coletores poderiam, nesse sentido, ter como motivação para a atividade nas cavernas a diversão e o convívio, ou mesmo a simples necessidade de buscar comida.