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Estudo em templo budista tibetano revela erro de 700 anos em pinturas

Pesquisa foi conduzida nas Cavernas de Mogao, local considerado um Patromônio Mundial da UNESCO

Fabio Previdelli Publicado em 05/01/2021, às 15h47

Templo tibetano nas Cavernas de Mogao
Templo tibetano nas Cavernas de Mogao - Divulgação/ Nottingham Trent University

Uma equipe de pesquisadores liderada pelo Laboratório de Imagem e Detecção de Arqueologia, História da Arte e Conservação (ISAAC) da Universidade de Nottingham Trent, na Inglaterra, em colaboração com a Dunhuang Research Academy da China e a Biblioteca Britânica, descobriu um erro significativo enquanto estudavam as paredes antigas de um templo budista tibetano localizado em uma caverna.  

Os estudos foram focados nas Cavernas de Mogao — considerado um Patrimônio Mundial da UNESCO —, em Dunhuang, no noroeste do país asiático, região importante na antiga Rota da Seda, que possui mais de 1.000 anos de história. 

Usando um sistema de imagem espectral em 3D, o que permite conduzir um estudo com registros em alta definição das pinturas sem que esse processo seja invasivo ao ambiente, os pesquisadores conseguiram identificar pigmentos de cor usados nas artes e revelaram inscrições desbotadas que não são visíveis a olho nu.  

Com isso, constataram um erro cometido por trabalhadores do templo há mais de 700 anos. Enquanto investigavam a pintura dos Cinco Budas Celestiais, localizada no teto do local, eles descobriram textos desbotados escritos em sânscrito que ficavam ao pé de cada uma das imagens. Porém, as escritas foram coladas de cabeça para baixo.  

O texto sânscrito revelado, que se pensa ter sido colado acidentalmente com a face para baixo há cerca de 700 anos / Crédito: Divulgação/ Nottingham Trent University

 

O texto no papel foi identificado como uma frase budista sânscrita conhecida como "Resumo da Origem Dependente", considerada um resumo dos ensinamentos de Buda, podendo ser traduzido como: "Todas as coisas surgem de causas." 

O trabalho também envolveu a paleografia, que é o estudo da evolução da escrita ao longo do tempo, o que tornou capaz de identificar que certas letras presentes no texto não eram usadas em escritas como lá retratada até depois do século 12.  

Com isso, as pinturas foram datadas do final do século 12 ao início do século 13. “Este tem sido um grande debate por muitos anos, mas agora nossa análise nos permitiu datar esta caverna com muito mais certeza do que nunca”, declarou Haida Liang, chefe do grupo de pesquisas do ISAAC, em entrevista ao periódico Nottingham Post

“As impressões em papel escritas parecem ter sido produzidas e coladas no teto durante a construção do templo da caverna, como parte de um ritual de consagração. Foi uma descoberta fascinante, acreditamos que foi um erro, talvez os operários que a fizeram não entendessem Sânscrito”, concluiu o especialista.