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Estudo identifica o cachorro domesticado mais antigo da Península Arábica

No ano passado, pesquisadores descobriram o esqueleto de um cão enterrado ao lado de humanos em uma tumba

Isabela Barreiros, sob supervisão de Alana Sousa Publicado em 24/04/2021, às 10h02

Ossos do cão encontrados na Arábia Saudita
Ossos do cão encontrados na Arábia Saudita - Divulgação/AlUla, Discovery and the University of Western Australia

Em escavações realizadas no ano passado, pesquisadores identificaram o esqueleto de um cachorro enterrado ao lado de humanos. Com a pandemia do novo coronavírus, o estudo desses restos mortais foi adiado, mas, agora, os especialistas acreditam que trata-se do mais antigo exemplo de domesticação do cão árabe.

Ao portal da National Public Radio, o arqueólogo Hugh Thomas falou sobre a descoberta: “Foi um momento incrivelmente estimulante. De repente, ocorreu-nos: ‘Uau, temos o cão domesticado mais antigo da Arábia?’".

Recentemente, um pedaço da mandíbula do cão foi enviado para uma análise de carbono-14, revelando que ele tinha por volta de 6 mil anos de idade. "Pequenas facetas como essa, como um único osso de cachorro sendo datado de C-14, de repente se tornam uma parte importante da história dessas pessoas", afirmou Thomas.

No entanto, como explicaram os pesquisadores, não é possível determinar se um cachorro era domesticado apenas a partir de seus ossos. Evidências importantes nesse sentido estão relacionadas aos sinais de envelhecimento e artrite no esqueleto, demonstrando que eles viveram mais que animais selvagens. Mas não é o suficiente.

Para tanto, o estudo contou com a arqueóloga Maria Guagnin  especialista em arte rupestre, que comparou a descoberta com a história da região, contada principalmente pela arte rupestre, em pinturas e gravuras que mostravam a relação dos humanos com os animais. 

"Sempre houve esse debate. Quanto controle os humanos realmente tinham sobre esses cães?”, disserta Guagnin. “Apenas a partir de restos de ossos, você não pode realmente responder a essa pergunta. Na arte rupestre, podíamos ver que havia coleiras e um controle claro sobre os cães. Era um relacionamento bastante próximo”.