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Estudo indica que bebês neandertais tinham tórax robusto como os adultos

A importância da descoberta está em entender que essa pode ter sido uma herança genética de nível evolutivo

Isabela Barreiros Publicado em 08/10/2020, às 14h12

Caixas torácicas examinadas pelos pesquisadores
Caixas torácicas examinadas pelos pesquisadores - Divulgação/Daniel García Martínez

Um novo estudo publicado na revista científica Science Advances investigou as reconstruções virtuais de formas torácicas de quatro indivíduos Neandertais encontrados na Rússia, França e Curdistão Sírio. A principal conclusão foi a de que os recém nascidos da espécie já possuíam uma caixa torácica larga como as dos adultos.

Isso acontecia para que eles pudessem sustentar os gastos de energia que seus corpos precisavam. Markus Bastir, um dos autores do artigo e pesquisador do Museu Nacional de Ciências Naturais, em Madrid, explica que “essa morfologia exemplifica a condição arcaica compartilhada com o Homo erectus e provavelmente está relacionada a grandes necessidades de energia, pois os bebês de Neandertal também têm uma grande abertura nasal".

“Nossos resultados indicam que a caixa torácica dos recém-nascidos de Neandertal, assim como para outras regiões anatômicas como a mandíbula, já apresentava diferenças em relação à nossa espécie”, esclareceu Daniel García Martínez, líder do estudo. “O que observamos nas caixas torácicas de recém-nascidos de Neandertal é que eram mais profundas e mais curtas do que nos humanos modernos, pois também pode ser visto em adultos”.

Os especialistas elucidam que essa conclusão pode indicar que a caixa torácica robusta dos Neandertais não foi definida por seu desenvolvimento e crescimento, mas sim pela própria genética. Portanto, é possível apontar que isso ocorreu devido a uma herança genética de espécies que vieram antes, o Homo erectus, por exemplo. 

“No momento do nascimento, os neandertais já tinham cérebros e mandíbulas diferentes, então faz sentido que sua morfologia do tórax também deva ser determinada geneticamente e ser encontrada em recém-nascidos”, afirmam os co-autores do estudo, Christoph Zollikofer e Marcia Ponce de León, da Universidade de Zurique.