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Estudo indica que malária afetava seres humanos milhares de anos antes do que se acreditava

Pesquisadores encontraram evidências de que caçadores-coletores sofreram com a doença há 7 mil anos

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 20/04/2021, às 14h00

Vestígios de talassemia nos ossos encontrados no Vietnã
Vestígios de talassemia nos ossos encontrados no Vietnã - Divulgação/Scientific Reports

Um novo estudo publicado nesta semana na revista científica Scientific Reports investigou novas evidências de que a malária já afetava seres humanos milhares de anos antes do que se pensava. As conclusões da pesquisa foram repercutidas pelo jornal britânico Daily Mail. 

A líder da pesquisa Hallie Buckley, bioarqueologista da Universidade de Otago em Dunedin, Nova Zelândia, analisou ossos de fósseis de ao menos 7 mil anos encontrados no Vietnã que continham mudanças genéticas. Para a pesquisadora, essas pessoas estavam sofrendo com a doença antes de desenvolverem a agricultura.

“Até agora, acreditávamos que a malária se tornou uma ameaça global para os humanos quando nos voltamos para a agricultura”, explicou o antropólogo biológico Melandri Vlok, um dos autores do estudo. "Mas nossa pesquisa mostra que pelo menos no sudeste da Ásia essa doença era uma ameaça para grupos humanos muito antes disso."

Ossos de caçadores-coletores encontrados no Vietnã / Crédito: Divulgação/Scientific Reports

 

Durante a análise, os especialistas encontraram uma mudança importante nos ossos dos caçadores-coletores vietnamitas: eles apresentavam maior porosidade, geralmente ligada à talassemia, um distúrbio sanguíneo que, se estiver em proporções menores, pode proteger um indivíduo contra a malária.

Para os cientistas, o desenvolvimento dessa doença pode ter sido uma resposta de adaptação dos seres humanos à malária, que já afetava a população de maneira agressiva naquele período, muito antes da agricultura, como se imaginava.

"Muitas peças se juntaram, então houve um momento surpreendente de compreensão de que a malária estava presente e era problemática para essas pessoas todos aqueles anos atrás, e muito antes do que sabíamos até agora", afirmou Vlok.