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Estudo investiga como ferramentas de pedra afetaram os músculos dos povos do paleolítico

Os pesquisadores queriam saber se o nível de esforço exigido ao usar os artefatos afetou a evolução dos utensílios

Vanessa Centamori Publicado em 27/05/2020, às 15h45

Instrumento de pedra
Instrumento de pedra - Universidade de Kent

Pesquisadores do Reino Unido investigaram ferramentas do paleolítico inferior e médio para entender como esses utensílios ajudaram no desenvolvimento e na ativação muscular dos homens da pré-história. 

O estudo, publicado no jornal Science Direct, envolveu cientistas da Universidade de Kent. Foram mobilizados tanto profissionais da Escola de Ciências do Esporte e do Exercício (SSES), como da Escola de Antropologia e Conservação (SAC).

Para entenderem como eram usadas as ferramentas pré-históricas, os especialistas usaram uma técnica capaz de registrar a atividade elétrica nos músculos. Essa atividade ocorre quando contraímos esses tecidos e indica quais deles estão sendo utilizados e como. No caso, os pesquisadores se focaram nos tecidos da mão, antebraço e ombro. Isso durante o uso de instrumentos de pedra.

Os experts fizeram uma comparação entre essas ferramentas do paleolítico e aquelas que surgiram depois para ver se as mais novas exigiam níveis mais baixos de atividade muscular. Ou seja, se os instrumentos mais recentes eram mais ergonômicos.

Instrumentos de pedra do paleolítico / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Tal conhecimento poderia explicar o mistério do porquê as populações do paleolítico resolveram trocar de utensílios, substituindo suas tecnologias. Para a surpresa dos especialistas, as mudanças tecnológicas, no entanto, não ocorreram de acordo com as trocas e melhorias ergonômicas dos artefatos.

Isto é, nem sempre as ferramentas mais novas e fáceis de serem utilizadas explicavam porque as novidades foram criadas. Até porque, algumas vezes, os indivíduos do paleolítico inventavam coisas novas, mas que ainda assim davam um trabalho extra para os músculos. 

Essa descoberta foi feita com equipamentos similares aos usados por cientistas em atletas para entender o que limita o desempenho esportivo. "Existe um enorme potencial para técnicas e métodos que se tornaram comuns na ciência do esporte para contribuir para a nossa compreensão do comportamento humano precoce", comentou em comunicado o líder do estudo, Alastair JM Key, da Universidade de Kent.