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No século 12, rivalidade entre igrejas fez monges iniciarem incêndio na própria catedral

O fogo foi causado para abrir espaço para a construção de uma enorme cripta

Letícia Yazbek Publicado em 02/01/2019, às 14h47 - Atualizado às 15h07

Catedral de Canterbury, localizada em Kent, Inglaterra
Wikimedia Commons

Um novo estudo indica que a rivalidade entre as duas mais belas catedrais da Grã-Bretanha – Durham e Canterbury – causou um incêndio proposital, em 5 de setembro de 1174. Os monges de Canterbury teriam ateado fogo na própria catedral para, depois, restaurá-la e deixá-la mais bonita.

Segundo a historiadora Emma Wells, professora da Universidade de York, a suntuosa cripta da catedral de Canterbury, que armazena o corpo do arcebispo Thomas Beckett, foi construída depois de um incêndio ter atingido partes do edifício. O incêndio aconteceu pouco depois de Beckett ser assassinado dentro da catedral.

Para Wells, que analisou escritos dos monges da época, os próprios monges da catedral de Canterbury provocaram o incêndio – depois, restauraram a área atingida e construíram uma enorme cripta para Beckett.

No século 12, os santos e as catedrais eram um grande atrativo turístico na Grã-Bretanha. Os locais com os interiores mais atraentes ou os santos mais populares eram os mais visitados pelos peregrinos. Durham tinha como santo São Cuthbert, um dos mais famosos. No entanto, quando Beckett foi assassinado na catedral de Canterbury, o local foi invadido pelos peregrinos.

“Quanto mais perto você estivesse de um santo ou de suas relíquias, particularmente onde ele morreu, mais provável seria que houvesse uma resposta para suas orações.” Assim, iniciou-se uma rivalidade: como Canterbury tinha o santo mais popular, Durham começou a desenvolver a arquitetura de sua catedral.

Para tornar a catedral de Canterbury mais bonita do que a de Durham, os monges atearam fogo em parte da construção e construíram a cripta, que os peregrinos podiam visitar e admirar. "O que é muito interessante é o tempo. Beckett morreu em 1170 e foi canonizado em 1173. O incêndio ocorreu em 1174 - nem mesmo um ano após ele se tornar um santo”, afirma Wells.