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Estudo revela instigante história evolutiva da Via Láctea mais detalhada até agora

Segundo astrônomos do Instituto de Astrofísica das Canárias, a galáxia anã de Sagitário foi fundamental para a expansão de nosso universo e para a formação do Sol

Fabio Previdelli Publicado em 28/05/2020, às 14h06 - Atualizado às 14h07

Imagem ilustrativa do Universo
Imagem ilustrativa do Universo - Pixabay

Desde que o mundo é mundo e os o seres-humanos se tornaram questionadores de sua própria existência, três perguntas básicas permeiam nossas vidas: “de onde viemos?”, “para onde vamos?” e “como tudo começou?”.

Por mais amplo que pareça, sabemos que vivemos em um dos planetas do Sistema Solar que faz parte de uma galáxia espiral chamada Via Láctea, e que a Via Láctea é apenas uma das 100 bilhões de galáxias existentes no universo observável que nossa tecnologia nos permite detectar. Mas será que nossa galáxia sempre foi do jeito que é?

A resposta para essa pergunta é não, afinal, o universo sempre esteve em expansão e um dos responsáveis por esse processo foi a galáxia anã de Sagitário. Essa segunda afirmação foi feita em um estudo publicado na última segunda-feira, 25, na revista Nature Astronomy. Além do mais, a pesquisa também sugere que a galáxia teve um papel crucial para a formação do sol.

A descoberta foi feita a partir de uma pesquisa realizada por astrônomos do Instituto de Astrofísica das Canárias, na Espanha, que analisaram dados da Missão Gaia — que foi lançada em 2013 pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Com essas informações em mãos, os pesquisadores mediram a luminosidade, a posição e a composição química individual de um grande número de estrelas de nossa galáxia para tentar entender sua evolução.

Assim, a equipe descobriu a luminosidade intrínseca de 24 milhões de estrelas que ficam em uma distância de até 6500 anos-luz em torno do sol. Com a comparação de suas luzes e cores atuais com a de versões anteriores, os astrônomos conseguiram a história evolutiva da Via Láctea mais detalhada até agora.

Descobriu-se que, há cerca de 13 bilhões de anos, o surgimento de estrelas era descomedido e contínuo, mas que essa taxa diminuiu com o passar dos anos. "Podíamos imaginar que a Via Láctea não tenha formado estrelas a uma taxa constante ao longo de sua história, mas não esperávamos períodos de atividade tão bem definidos", declarou o líder do estudo, Tomás Ruiz Lara, em um comunicado oficial.

Mas, segundo explicam os pesquisadores, houve períodos em que taxa de formação de estrelas na Via Láctea cresceu assustadoramente, chegando a atingir até quatro vezes seu padrão considerado normal. Um desses momentos aconteceu há cerca de 5 ou bilhões de anos, seguido por demais há 2 bilhões de anos, 1 bilhão de anos e 100 milhões de anos.

Esses episódios aconteceram pois, apesar da Via Láctea estar em uma zona aparentemente vazia no Universo, ela não está completamente sozinha, afinal, nos nossos arredores estão localizadas a galáxia de Andrômeda, além de dezenas de outras galáxias anãs — onde fica localizada a de Sagitário.

"Tudo indica que essas interações entre os dois sistemas foram capazes de estimular a formação de novas estrelas em nossa galáxia, afetando drasticamente sua evolução", revelou Carme Gallart, coautora da pesquisa. "Esses resultados questionam alguns dos modelos atuais de formação de estrelas nas galáxias e impõem restrições a futuros estudos teóricos."

Ruiz Lara explica que nosso sistema se formou há cerca de 4.7 bilhões de anos após o grande colapso de uma nuvem de gás e poeira. "É possível que nosso Sol tenha sido uma das muitas estrelas formadas cerca de 5 bilhões de anos atrás, como consequência da interação entre nossa galáxia e a de Sagitário".

Segundo o especialista, "Pode ser que [tenhamos descoberto] um dos principais eventos astronômicos que deram origem ao mundo como o conhecemos hoje."