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Estudo revela intensa divisão de classes na Europa Medieval

Após examinar ossos do século 17, cientistas conseguiram determinar a classe social de indivíduos da Dinamarca e da Itália através dos alimentos consumidos por eles

Pamela Malva Publicado em 16/07/2020, às 14h30

Alguns dos ossos analisados pelos cientistas
Alguns dos ossos analisados pelos cientistas - Divulgação/Universidade do Sul da Dinamarca

A partir da análise dos ossos de 69 indivíduos do século 17, cientistas da Universidade do Sul da Dinamarca descobriram novas relações entre os nobres e os civis medievais. No geral, o estudo examinou os restos mortais de dinamarqueses e italianos.

Ao final das pesquisas, o professor de arqueometria Kaare Lund Rasmussen e sua equipe publicaram os resultados na revista Heritage Science. Entre eles, algumas comparações foram feitas entre os estilos de vida do Norte e do Sul da Europa nos anos 1600.

Nesse sentido, os cientistas descobriram que, de acordo com as substâncias presentes nos ossos analisados, é possível identificar a classe social dos esqueletos e sua alimentação durante a vida. Os nobres dinamarqueses e italianos, por exemplo, comiam mais carne de animal do que os civis dos mesmos países.

Imagem meramente ilustrativa de alquimistas medievais / Crédito: Domínio Público

 

Mais ainda, o estudo demonstrou que o teor de cobre presente nos restos mortais também dizem muito sobre o dia-a-dia daquela época. Segundo Kaare, no entanto, essa substância não traz informações apenas sobre a alimentação dos povos antigos.

No passado, o cobre era ingerido não através da comida, como também pelas panelas onde as refeições eram preparadas. Os italianos, por exemplo, cozinhavam em peças de cobre independentemente de seu status social, o que explica o alto nível do metal em seus ossos — que era consumido junto dos alimentos.

Uma terceira substância, contudo, chamou ainda mais atenção. O mercúrio presente em algumas das amostras apenas comprovou um antigo hábito da época. De acordo com Kaare, o metal líquido era usado no tratamento de hanseníase e sífilis.

O estudo mostrou, entretanto, que a aplicação de mercúrio era diferente entre os países analisados. Enquanto, na Dinamarca, todos apresentaram os mesmos índices da substância, apenas os nobres italianos foram medicados com o metal.