Notícias » Civilizações

O mundo ainda é governado por dinastias políticas tradicionais, revela estudo

Uma análise sobre os líderes mundiais desse século indicou que a vantagem de ter uma família política já governante é significativa

André Nogueira Publicado em 30/08/2019, às 12h00

None
Crédito: Reprodução

Em uma pesquisa publicada no Historical Social Research, duas pesquisadoras demonstraram que um a cada dez líderes mundiais provêm de famílias políticas já estabelecidas em seus respectivos países. Dos 1.029 casos de líderes executivos na África subsaariana, Ásia, Europa, América do Norte e América Latina entre os anos 2000 a 2017, 12% já tinham pés na política nacional.

Estes são os casos, por exemplo, de G. W. Bush (EUA), J. Trudeau (Canadá) e C. F. Kirchner (Argentina). Concluiu-se, a partir disso, que mesmo nas democracias liberais o pertencimento a famílias tradicionalmente ligadas ao poder capacita a vitória em eleições, pelo lastro político gerado pelo legado familiar.

B. Bhutto (Paquistão) e C. Kirchner (Argentina), dois exemplos de mulheres governantes provenientes de famílias políticas / Crédito: Wikimedia Commons

 

América do Norte e Europa são os continentes em que o fenômeno ocorreu com maior frequência, com 25 e 13%, respectivamente, de herança do poder por presidentes e primeiros-ministros.  Na América Latina, 11 dos 88 líderes estudados possuíam alguma ligação com chefes-de-estado antecessores. Na África, apenas 9% possuem essa característica.

A pesquisa também revelou que esse fator é ainda mais influente na eleição de líderes mulheres. Com cenários normalmente comandados por homens, 29% das líderes do Executivo no mundo conseguiram ascender por influência de seu capital político familiar, contra os 10% entre comandantes homens. Em todos os casos analisados, essas mulheres são as primeiras da família a entrarem com sucesso na política.