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EUA acusam Rússia de enviar caças camuflados para mercenários na Líbia

Enquanto Moscou anuncia pedidos de trégua no país, em guerra desde a queda de Muammar Kadhafi, Washington afirma que veículos foram pintados para ocultar a verdadeira origem

André Nogueira Publicado em 27/05/2020, às 09h48

Suposto caça russo
Suposto caça russo - U.S. Dept. of Defense

O governo dos EUA acusou a Rússia de fornecer caças furtivos de guerra camuflados para mercenários da Guerra Civil na Líbia, afirmando que o país pintou os veículos “para camuflar a origem”. Moscou, por sua vez, pede trégua das facções do país e um cessar-fogo. Para o Pentágono, a Rússia colabora de maneira oculta com Khalifa Haftar, que prometeu tomar Trípoli.

"As aeronaves militares russas provavelmente fornecerão apoio aéreo próximo e fogo ofensivo", anunciou em comunicado oficial o Comando Africano dos EUA, enquanto o Ministro de Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, anunciou um pedido de trégua enviado ao deputado líbio Aguila Salh Issa. O anúncio americano revelou que as aeronaves foram enviadas de base russa com escala na Síria.

Andrei Krasov, que comanda o Ministério da Defesa da Rússia, revelou que a alegação é falsa, mas disse que “não comentaria agora” a declaração da Africom. O Parlamento russo ainda anunciou que nenhum esforço militar foi enviado à Líbia, ou mesmo foi votado na casa legislativa.

Mapa da Guerra Civil em 2020. Em vermelho, área comandada pelo ENL; em verde, pelo GAN; em azul, áreas em disputa / Crédito: Wikimedia Commons

 

Segundo o general Stephen Townsend (EUA), os aviões russos são “caças de quarta geração”. “A Rússia está claramente tentando virar a balança a seu favor na Líbia”, afirmou ele à Al Jazeera após Hafta perder posições com o aumento do esforço turco em Trípoli. "Assim como eu os vi fazendo na Síria, eles estão expandindo sua presença militar na África usando grupos de mercenários apoiados pelo governo como Wagner [Group]”.

A ONU ainda anunciou repúdio a iniciativas militares ocorridas na capital do país africano, com o uso de artefatos explosivos improvisados. "Esses atos, que não atendem a nenhum objetivo militar, provocam extremo medo entre a população e violam os direitos de civis inocentes que devem ser protegidos pelo Direito Internacional Humanitário", afirmou a organização.