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Evidências de bruxaria são encontradas em Pompéia

Arqueólogos encontraram objetos incomuns que podem ter sido utilizados por um feiticeiro romano

Fabio Previdelli Publicado em 16/08/2019, às 15h00

Objetos encontrados em Roma
Objetos encontrados em Roma - Crédito: Reprodução

A bruxaria sempre foi motivo de medo e receio pelos povos antigos. Durante certo período da história, era comum pessoas acusadas de bruxaria serem queimadas em praças públicas ou até mesmo decapitadas. Apesar de não existir certeza sobre a veracidade ou não dos atos, vestígios encontrados de rituais sempre deixaram uma pulga atrás da orelha de muitas pessoas.

A mais recente delas foram encontradas na cidade de Pompéia, na Itália. Lá, arqueólogos encontraram um tesouro com objetos incomuns escondidos. A teoria que veio à tona é que os utensílios pertenciam a um feiticeiro romano que os utilizava para lançar feitiços nas pessoas.

Artefatos incomuns são encontrados em Pompéia / Crédito: Roma

 

Os artefatos foram encontrados escondidos em uma sala da Casa del Giardino. Os misteriosos artigos foram guardados em uma caixa de madeira, que se desintegrou ao longo dos anos, restando apenas suas alças de bronze. As peças foram localizadas perto de uma inscrição que desafia as crenças sobre o período da erupção vulcânica que devastou Pompéia e cidades vizinhas.

Os apetrechos eram tão diversos quanto misteriosos. Especialistas descobriram elementos feitos de vidro, argila e pedras semipreciosas, como o âmbar. Um pedaço de vidro foi encontrado com uma gravura interna de Dionísio, deus romano do vinho e da fertilidade.

Pedaço de vidro com gravura interna de Dionísio / Crédito: Reprodução

 

Também foram encontrados objetos que foram transformados em amuletos, bonecos, sinos, punhos, um pequeno crânio e até um pênis em miniatura. O achado foi feito, no que se acredita, ser o quarto de escravos ou servos da cidade, já que nenhum outro objeto precioso foi encontrado com o tesouro.

Analisando a simbologia e imagens dos artigos, os especialistas acreditam que muito deles estão relacionados a pedidos de boa sorte, encantos e proteção contra espíritos malignos. Um sino encontrado no local, possivelmente, foi utilizado para afugentar entidades do mal.

Alguns dos artefatos podem ter sido usados em rituais relacionados à fertilidade, parto e casamento. Porém, esses rituais devem ter sidos feitos em âmbito partículas, pois apesar da magia ser difundida no mundo romano, ela não era socialmente aceita.

Os objetos eram feitos de vidro, argila e pedras semipreciosas, como o âmbar / Crédito: Reprodução

 

Massimo Osanna, diretor geral do Parque Arqueológico de Pompéia e professor de arqueologia clássica na Universidade de Nápoles Federico II, relata que: "eles são objetos da vida cotidiana no mundo feminino e são extraordinários porque contam pequenas histórias e biografias dos habitantes da cidade que tentaram escapar da erupção".

Estima-se que o tesouro é uma das maiores descobertas deste tipo. Os artigos oferecem uma visão completamente surpreendente da vida cotidiana dos romanos mais pobres. Eles também nos oferecem evidências que a magia e os encantos desempenharam um papel muito importante na sociedade antiga.