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Ex-bispo católico confessa ter acobertado acusações de pedofilia

Howard Hubbard, ex-bispo da diocese católica romana de Albany, Nova York, admitiu ter ocultado alegações de abuso sexual contra crianças por padres

Redação Publicado em 28/03/2022, às 09h26

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Imagem ilustrativa - Pixabay/stempow

O ex-bispo da diocese católica romana de Albany, em Nova York, nos Estados Unidos, admitiu acobertar acusações de abuso sexual contra crianças por parte de padres por preocupação com “escândalo e respeito do sacerdócio".

Em um depoimento dado no ano passado, Howard Hubbard reconheceu sua prática após ter recebido dezenas de reclamações apresentadas sob a Lei de Vítimas Infantis do estado de Nova York.

O depoimento foi divulgado após um juiz tomar a decisão na última sexta-feira, 25. Sua transcrição “será lida com horror pelo público”, afirmou Cynthia LaFave, advogada que representa algumas das centenas de pessoas que processaram diocese de Albany por abuso sexual sofrido durante a infância, muitas vezes décadas atrás.

“O público verá a culpa da Diocese em perpetuar uma cultura de abuso sexual por padres que foi autorizada a continuar por décadas”, acrescentou LaFave em nota ao jornal britânico The Guardian.

Hubbard afirmou que não denunciou as alegações para que a lei fosse aplicada porque não sentiu que era obrigado a tal ação. Ele citou os nomes de vários padres acusados de abuso sexual encaminhados para tratamento e que voltaram ao ministério sem que isso fosse divulgado à público.

Segundo o ex-bispo, ele decidiu ocultar as alegações para evitar possíveis escândalos e para proteger a reputação do sacerdócio. A diocese também armazenava documentos sobre essas acusações em arquivos secretos em uma sala secreta a qual apenas ele e altos funcionários da igreja tinham acesso, revelou no depoimento.

Hubbard administrou a diocese no distrito da capital do estado de Nova York de 1977 a 2014. Ele foi acusado de abuso sexual mas negou as alegações.

Um porta-voz da diocese disse em comunicado que sua prioridade é “a proteção e assistência das vítimas/sobreviventes e a descoberta da verdade”, e que “tem e continua a resolver reivindicações pendentes de vítimas/sobreviventes em mediações com a assistência do tribunal”, não mencionando o caso especificamente.