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Ex-monge do Mosteiro Santíssima Trindade denuncia abuso sexual feito por líder religioso

A vítima do padre fez a denúncia durante entrevista

Paola Orlovas, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 04/10/2021, às 11h31

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - StockSnap via Pixabay

Uma das oito vítimas de Ernani Maia revelou, em relato ao UOL, ter sofrido abuso emocional e sexual dentro do Mosteiro Santíssima Trindade. Com a fé abalada por encontros desagradáveis com o padre e sem nunca ter recebido apoio da diocese ou do bispo, decidiu ir embora e buscá-lo na esfera familiar, junto com atendimento psicológico.

“Relacionei tudo o que vivi com Ernani a Deus” disse o ex-monge, que passou a sofrer com avanços do líder após ter revelado, em confissão, ser gay. De início, a postura de seu superior foi acolhedora, até que, um ano depois, a vítima passou a ser favorecida: Erani oferecia-lhe viagens, drinks e jantares.

Durante uma estadia em Campinas, o ex-monge foi surpreendido pelo padre, com quem dividia um quarto de motel, e esperava a vítima sair do banho. Seminu, Ernani indagava o outro sobre suas fantasias sexuais, perguntando se ele gostaria que os desejos fossem realizados, assustado, o ex-monge não comentou o episódio com ninguém. O padre pediu desculpas, mas continuou com os avanços.

Ernani foi dispensado da Igreja Católica pelo próprio Papa Francisco no dia 1 deste mês, quem comunicou o fato foi o arcebispo de Pouso Alegre (MG), dom José Luiz Majella Delgado. O líder, que abusou das vítimas durante 8 anos, já havia se afastado da Igreja quando saiu do mosteiro, em agosto de 2018, relatando "cansaço" e "crise vocacional".