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Ex-presidente de El Salvador é acusado por massacre de padres jesuítas

O julgamento envolve Alfredo Cristiani e ex-militares, que estão sendo acusados pelos assassinatos de seis padres em 1989

Redação Publicado em 26/02/2022, às 10h44

Ex-presidente de El Salvador, Alfredo Cristiani
Ex-presidente de El Salvador, Alfredo Cristiani - Chelsea Tory via Wikimedia Commons

O ex-presidente de El Salvador, Alfredo Cristiani, e outras 12 pessoas, incluindo ex-militares, estão sendo acusados por promotores do país pelo massacre de seis padres jesuítas em 1989, em um caso que indignou o mundo.

Segundo reportou o jornal britânico The Guardian, eles devem ser acusados por assassinato, terrorismo e conspiração. Cristiani, no entanto, nega qualquer envolvimento ou conhecimento sobre o plano que resultou no assassinato dos padres. Ele ficou no cargo de 1989 a 1994.

Em seu perfil no Twitter, o procurador-geral, Rodolfo Delgado, afirmou que seu gabinete “está determinado a ir atrás dos acusados ​​de ordenar este lamentável e trágico acontecimento”.

O crime aconteceu em 16 de novembro de 1989, quando seis padres, sendo cinco espanhóis e um salvadorenho, assim como sua governanta e filha, foram mortos na residência dos religiosos por uma unidade de comando de elite.

Após os assassinatos, os responsáveis manipularam o cenário para que o massacre parecesse ter sido feito por guerrilheiros de esquerda. A investigação também foi dificultada por manobras legais aplicadas por tribunais do país nos anos seguintes.

O caso foi reaberto em janeiro deste ano após os militares recorrerem ao Supremo Tribunal em 2019. Sete membros das Forças Armadas haviam sido absolvidos de um total de nove que foram inicialmente julgados. Além disso, dois cumpriram penas curtas, liberados pela lei da anistia em 1993.

A anistia foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal de El Salvador, o que fez com que um dos oficiais liberados, Cel Guillermo Benavides, retornasse a prisão, onde continua desde então.