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Ex-secretária do chefe da polícia secreta de Pinochet será extraditada pela Austrália

A chilena Adriana Elcira Rivas González, que trabalhou para Manuel Contreras, batalha a extradição desde 2018

Paola Orlovas, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 24/11/2021, às 11h29

Adriana Rivas em uma entrevista de 2019
Adriana Rivas em uma entrevista de 2019 - Divulgação / YouTube / SBS Spanish

Foi decidido por um tribunal federal da Austrália nesta quarta-feira, 24, que a ex-secretária do chefe da polícia secreta de Augusto Pinochet, a chilena Adriana Elcira Rivas González, acusada de ter cometido sete sequestros durante a década de 1970, deve ser extraditada para o Chile.

Hoje com 60 anos de idade, Adriana Rivas trabalhou como secretária de Manuel Contreras, que chefiava a Diretoria de Inteligência Nacional, órgão que matou 3,2 mil pessoas durante a ditadura de Pinochet. As informações são da AFP. 

Manuel Contreras, seu chefe, morreu em 2015, tendo acumulado 516 anos em 58 sentenças definitivas por violações aos direitos humanos, enquanto esperava que a Corte Suprema chilena revisasse mais seis julgamentos, que somavam 69 anos de prisão, e 27 processos de primeira instância, que lhes dariam mais 339 anos.

A solicitação de extradição formal de Rivas, que mora em Sydney há 30 anos, trabalhando como faxineira e babá, foi feita pelo Chile apenas em 2018, e em 2019, ela foi detida pelas autoridades da Austrália. A extradição é recorrida por Adriana desde então.

Em 2020, foi decidido que a mulher estava apta para voltar ao Chile, e em junho, ela perdeu o seu primeiro recurso. Agora, a decisão de um tribunal federal australiano foi extraditá-la.

Ainda segundo a AFP, os juízes do caso na Austrália disseram que Adriana Elcira Rivas González "afirma não ser culpada das acusações a ela atribuídas", mas que cabe à Justiça chilena decidir se ela é culpada ou inocente.