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Ex-secretário geral do Partido Comunista, expurgado por se opor à repressão estudantil, finalmente é enterrado na China

Após 14 anos de sua morta e intensa negociação com autoridades do país, as cinzas do líder reformista chinês Zhao Ziyang e de sua esposa Liang Boq foram sepultadas em Pequim

Fabio Previdelli Publicado em 18/10/2019, às 11h02

Zhao Ziyang conversando com estudantes em Pequim em maio de 1989
Zhao Ziyang conversando com estudantes em Pequim em maio de 1989 - ABC News

As cinzas de Zhao Ziyang, ex-secretário geral do Partido Comunista, e de sua esposa, Liang Boqi, foram finalmente enterradas hoje, 18, em uma discreta cerimônia no cemitério Tianshou Garden, em Chaoping, nos arredores do norte de Pequim.

O enterro de Ziyang, que foi expurgado por se opor ao uso de força para reprimir os protestos estudantis em 1989, aconteceu 14 anos após sua morte e somente um dia depois de seu centésimo aniversário de nascimento.

A sangrenta repressão militar contra os manifestantes de Tiananmen que ocorreu há três décadas — na qual centenas de civis foram mortos — continua sendo um tabu em qualquer discussão pública no país. Como consequência, as negociações sobre o destino das cinzas de um homem que se opôs ao governo também se arrastaram desde então.

A família de Zhao Ziyang e sua esposa Liang Boqi prestam seus respeitos no túmulo onde suas cinzas foram enterradas na sexta-feira / Crédito: South China Morning Post

 

"Sentimos alívio por nossos pais finalmente poderem descansar em paz", declarou Wang Yannan, filha de Zhao, ao South China Morning Post. “Mas também lamentamos que demorou tanto tempo e várias discussões com as autoridades. Ainda parece surreal que este dia finalmente chegou”.

"Nos sentimos culpados por não poder informar a todos sobre o [enterro] de hoje", acrescentou. "Por favor, entenda que não tivemos muita escolha."

Zhao Ziyang foi promovido pelo ex-líder supremo da China, Deng Xiaoping, que procurava alguém para reformar a economia e abrir o país para o mundo exterior. Sua posição parecia garantida quando ele foi nomeado secretário geral do Partido Comunista, em 1987.

Zhao é lembrado por uma foto dele andando de braços dados com o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan, ambos segurando guarda-chuvas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas os protestos de estudantes e residentes em Pequim — e em outros lugares da China — dois anos depois revelaram profundas divisões na liderança do partido. Então, Zhao foi deposto pelo líder supremo e por conservadores do partido comunista.

Acusado de dividir o partido por simpatizar com os manifestantes estudantis pró-democracia ao se opor à repressão, ele passou o resto de sua vida em prisão domiciliar até sua morte em 2005, aos 85 anos.


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