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Exército gastou mais de R$500 mil em itens de luxo, afirma relatório

Incluindo picanha e camarão, os dados do Tribunal de Contas da União mostram gastos vindos de recursos contra a Covid-19

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 27/12/2021, às 19h00

Cerimônia do exército brasileiro em 2016
Cerimônia do exército brasileiro em 2016 - Wikimedia Commons / Gilberto Alves

Em março deste ano, o atual ministro da DefesaWalter Braga Netto foi convocado para explicar a utilização de fundos públicos para a compra de picanha e cerveja. Algum tempo depois, neste domingo, 26, o relatório de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) trouxe revelações inusitadas sobre os gastos do exército brasileiro.

De acordo com o documento público, as Forças Armadas gastaram parte dos recursos da ação "21C0 — Enfrentamento da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional decorrente do Coronavírus", destinada a movimentações contra a Covid-19, em itens não essenciais, incluindo salmão, camarão e bebidas alcoólicas.

Mesmo com as atividades do Exército Brasileiro sendo parcialmente alteradas devido à pandemia, os gastos com a alimentação continuaram devido à sua manutenção. Esta justificativa, contudo, não explica os itens de luxo e nem a necessidade de utilizar os recursos explicitamente destinados às políticas públicas anti-Covid-19.

Segundo a cobertura do jornal Folha de S. Paulo, o documento expondo estes gastos extremos das Forças Armadas Brasileiras baseia-se em dados dos bancos oficiais da administração pública federal. Nesse sentido, o relatório oficializa que foram gastos cerca de 535 mil reais da ação 21C0 em itens não essenciais.

Ressalte-se que, dos recursos destinados ao combate à pandemia Covid-19 utilizados indevidamente para aquisição de itens não essenciais (aproximadamente R$ 557 mil), 96% foram despendidos pelo Ministério da Defesa", descreve o documento.

Os dados estarão sendo analisados novamente pelo ministro responsável pelo TCU, Walton Alencar Rodrigues, mas está confirmado que, nas despesas do ministério da Defesa, estão incluídos gastos com produtos alimentícios de alto custo.

Ao veículo de notícias Folha de S. Paulo, a procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo e professora da FGV (Fundação Getulio Vargas) Élida Graziane Pinto afirmou que este tipo de despesa é extremamente preocupante.

A alimentação dos militares é despesa ordinária do Ministério da Defesa e jamais deveria ter sido custeada com créditos extraordinários da ação 21C0, essa, por seu turno, especificamente criada para a resposta à pandemia no âmbito do SUS [Sistema Único de Saúde]", explicou a especialista.