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Exposição em São Paulo levanta debate sobre resistência indígena

Nova exposição temporária do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP abarca conflitos de museu no Oeste Paulista

André Nogueira Publicado em 19/03/2019, às 09h47

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MAE-USP

A colonização do Oeste Paulista foi devastadora. Capitaneada por Luís de Sousa Leão no início do século XX, o empreendimento envolveu o Estado e empresas com o objetivo de ocupar o interior e desencadeou uma série de massacres à população indígena e a imposição da entrada dessas populações no circuito republicano e na produção de café, cana-de-açúcar e outros produtos. Com o avanço a oeste, Sousa Leão e sua empresa acabaram por fundar cidades importantes na região. Uma delas é Tupã, onde começa essa história

Ressentido pelo massacre por ele propiciado, Sousa Leão, antes de sua morte, fornece um espaço na cidade para a construção de um novo museu em memória do evento trágico. Nasce o novo Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre (em homenagem a uma índia raptada que ganhou um valor mitológico pelos esforços de "pacificação") que, até pouco tempo atrás, era inteiramente administrado pela prefeitura local, sem a real participação das comunidades da região.

Recentemente, as comunidades indígenas de Tupã (kaingang, guarani-nhandewa e terena) reivindicam o espaço como lugar de memória da trajetória histórica de suas tradições, exigindo a participação cabal dos índios em um museu sobre eles, mas administrado por brancos.

É diante deste cenário que a diretoria do MAE-USP (Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo), em contato com as três comunidades citadas, produziu a exposição etnográfica e ação educativa "Resistência Já!  Fortalecimento e união das culturas indígenas. Kaingang, Guarani Nhandewa e Terena", organizada e montada pelos indígenas em associação com o educativo do museu. 

As três comunidades montaram suas narrativas em relação ao material do acervo de Tupã (muitos deles objetos que não são utilizados por eles há gerações) e possibilitarão que o público conheça um pouco de suas práticas, história, cultura material e resistência a nível regional, estadual e federal. 

A exposição foi inaugurada no último dia 15 de março com a participação do grupo dos kaingang, que trouxeram experiências com artesanato, dança e canto ao público da exposição. Foram prometidas ainda atividades com os guarani nhandewa e os terenas que trarão suas culturas específicas para compartilhar e informar o público de dentro e de fora da Universidade. Afinal, o museu é público e aberto a visitação aos que se interessarem.

Aos interessados: as visitações ocorrem de segundas, quartas, quintas e sextas, das 9h às 17h e de sábado das 10h às 16h. A exposição está prevista para durar 1 ano. Procurar MAE USP, Avenida Professor Almeida Prado, 1466, São Paulo.