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Facebook da Idade da Pedra: há 30 mil anos, trocar colares feitos de cascas de ovos era forma de fazer amigos

As contas de ovos eram fabricadas por caçadores-coletores em um processo árduo

Vanessa Centamori Publicado em 10/03/2020, às 11h05

Contas feitas com casca de ovo eram trocadas como moeda social na Idade da Pedra
Contas feitas com casca de ovo eram trocadas como moeda social na Idade da Pedra - Universidade de Michigan

Um estudo liderado pela Universidade de Michigan mostrou que, há muito mais tempo do que se esperava (cerca de 30 mil anos), um grupo de caçadores-coletores do sul da África já realizava trocas. Além do escambo ser um meio de comércio primitivo, também estreitava laços de amizade. 

 As barganhas eram feitas com pequenas contas de ovos, fabricadas como resultado de em um processo muito curioso. Acontecia assim: na região do atual deserto de Karoo, quando um amontoado de grama crescia próximo à uma rocha, conhecida como xisto, avestruzes bicavam as gramíneas. 

Cascas de ovo de avestruz usadas na fabricação de colares / Crédito: Universidade de Michigan/ John Klausmeyer, Yuchao Zhao e Brian Stewart

 

Deglutidos pelas aves, os átomos do xisto e da grama viravam parte das cascas dos ovos dos avestruzes. Quando um membro do grupo de caçadores-coletores encontrava um ovo de avestruz, ele o comia e o quebrava. Então, conforme cavava um buraco, o indivíduo amarrava os fragmentos do ovo em um pedaço de tendão e montava um cordão de contas. 

Naquela época, um colar desses era um presente ótimo para se dar para amigos de outros grupos, que viviam mais à leste. Como retribuição, eles também ofereciam contas feitas de ovo. Era um forma de ser amigável, até que os ornamentos acabassem.

Arqueólogos trabalham em sítio arqueológico no Sul da África / Crédito: Universidade de Michigan/ Brian Stewart 

 

Três milênios depois, os pesquisadores conseguiram medir os átomos das contas feitas de ovo. Esse dado permitiu encontrar evidências de onde elas eram feitas e por quanto tempo eram usadas como moeda social. 

Em comunicado, o arqueólogo paleolítico Brian Stewart, da Universidade de Michigan, contou que acredita que os humanos são naturalmente animais sociais e que isso remonta do passado, quando já havia “forças poderosas” para maximizar informações. “As contas de casca de ovo de avestruz e as jóias feitas a partir delas agiram basicamente como que versões da Idade da Pedra das 'curtidas' do Facebook ou do Twitter”, afirmou.