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Família alemã multimilionária admite passado nazista

Dona de marcas como Clearasil e Calgon, uma das famílias mais ricas da Alemanha utilizava trabalhos forçados e produzia artigos para a Wehrmacht

Letícia Yazbek Publicado em 26/03/2019, às 13h11

Peter Harf, porta-voz da JAB Holding
Peter Harf, porta-voz da JAB Holding - Reprodução

Mais de 70 anos após o fim da Segunda Guerra e dos horrores cometidos pelo regime nazista, uma das famílias mais ricas da Alemanha admitiu que manteve vínculos com o governo de Hitler.

Peter Harf, porta-voz da família Reimann, revelou ao jornal alemão Bild am Sonntag que, depois de descobrir que seus antepassados apoiaram os nazistas e utilizaram trabalho forçado na empresa durante a guerra, a família planeja doar 10 milhões de euros (cerca de R$ 43 milhões) a instituições de caridade.

A companhia fundada pelos Reimann, a JAB Holding, é uma multinacional, dona de marcas de cosméticos, limpeza e higiene pessoal, como Clearasil, Calgon e Kukident. O patrimônio estimado da família é de 33 milhões de euros (cerca de R$ 142 milhões).

Segundo Harf, o patriarca Albert Reimann e seu filho primogênito foram os responsáveis pelas relações obscuras com o regime nazista. “Os dois empresários morreram e deveriam ter sido presos”.

A família começou a pesquisar sobre o assunto em 2000 e, em 2014, decidiu contratar um historiador para fazer uma investigação mais detalhada.

A pesquisa revelou que Albert Reimann foi um doador voluntário da SS a partir de 1931. Em 1941, a empresa foi considerada crucial para os esforços de guerra: produzia artigos para a Wehrmacht e para a indústria de armamentos. Já em 1943, a empresa chegou a ter 175 funcionários que exerciam trabalhos forçados. Além disso, empregava um capataz que teria sido conhecido por tratar de forma cruel os trabalhadores.