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Fim da dieta paleolítica não piorou nossa saúde, afirmam arqueólogos

Estudo afirma que, ao contrário do que é propagado, os caçadores pré-históricos não eram mais saudáveis do que agricultores que os sucederam

Letícia Yazbek Publicado em 01/11/2018, às 14h30 - Atualizado às 15h21

Reconstrução da vida no paleolítico
Reconstrução da vida no paleolítico - Getty Images

Muitos defensores das dietas cetogênicas – com muita proteína e gordura, mas pouco carboidrato – afirmam que a invenção da agricultura foi uma espécie de queda para a humanidado. O fim da alimentação baseada em caça e coleta do Paleolítico, mudando para grãos no Neolítico, teria levado à obesidade, problemas dentais, arteriosclerose e uma série de outras pragas modernas.

Se a dieta paleo funciona ou não, faz bem ou mal, é um assunto para outro tipo de pesquisa. E é certo que carboidratos em excesso podem levar a muitos problemas. Mas o argumento da piora da saúde se torna mais frágil. Um artigo publicado na revista arqueológica Antiquity revela que a agricultura não parece ter piorado a saúde dos seres humanos pré-históricos. 

Feita por arqueólogos da Universidade Nacional da Austrália, a pesquisa relata que a saúde dos caçadores-coletores que viveram no Vietnã pré-histórico foi tão ruim quanto a dos primeiros agricultores que se estabeleceram na região, milhares de anos depois.

Entre 8 000 e 7 000 anos atrás, por exemplo, um local chamado Con Co Ngua foi povoado pelas comunidades de Da But, formadas por caçadores-coletores. Há 4 000 atrás, após o fim das comunidades Da But, a área foi povoada por agricultores.

As evidências colhidas pela equipe apontaram para um resultado inesperado: caçadores e agricultores tinham cargas de doença aproximadamente semelhantes. Os dois grupos sofreram diferentes tipos de problemas, mas não é possível dizer que um era mais saudável do que o outro.

“É frequente, em estudos bioarqueológicos, termos uma categorização binária 'saudável' versus 'não saudável', que claramente não é como a saúde funciona na realidade”, explica Marc  Oxenham, líder do estudo.