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Físico brasileiro Marcelo Gleiser recebe Prêmio Templeton 2019: "A ciência não mata Deus"

O professor se junta a Madre Teresa, Dalai Lama e Desmond Tutu como destinatário do prêmio

Redação Publicado em 19/03/2019, às 11h49

Marcelo Gleiser
Marcelo Gleiser - YouTube/Reprodução

O brasileiro Marcelo Gleiser recebeu nesta terça-feira, 19, o importante Prêmio Templeton 2019 por seu trabalho demonstrando que a ciência e a religião não precisam ser inimigas.

O professor de física e astronomia da Universidade de Dartmouth, em Hanover, nos Estados Unidos, não acredita em Deus, mas se recusa a abandonar completamente a possibilidade de um criador do universo. Em vez disso, ele discute a ciência como uma busca espiritual para entender as origens da existência e da vida na Terra.

O especialista em cosmologia -- que vive nos EUA desde 1986 -- torna-se o primeiro latino-americano a ganhar o prêmio de US$ 1,4 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões), informou a Fundação John Templeton em um comunicado.

Ele é o 49° vencedor do Templeton, juntando-se a outros nomes célebres da história, como Madre Teresa, Desmond Tutu e Dalai Lama. Considerado uma espécie de Nobel do diálogo entre a ciência e a espiritualidade, pois é dedicado a reconhecer o esforço individual de pessoas que buscam afirmar a dimensão espiritual da vida, Gleiser foi escolhido por ser considerado um dos principais defensores da visão de que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares da necessidade humana de abraçar o mistério e o desconhecido.

"O ateísmo é inconsistente com o método científico. Mantenho a mente aberta porque entendo que o conhecimento humano é limitado. A ciência é maravilhosa, ela nos diz todas essas coisas maravilhosas sobre a natureza, mas também faz algo mais. A Terra é um planeta muito raro e especial. Nós humanos somos muito importantes. Em certo sentido, somos o centro moral do universo porque somos como o universo pensa", disse Marcelo em comunicado.