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Folha fossilizada de 23 milhões de anos revela que a Terra já foi mais poluída por CO2

O novo estudo relaciona a planta subtropical, descoberta em 2009, com o gradativo crescimento da poluição atmosférica

Wallacy Ferrari Publicado em 24/08/2020, às 09h42

Escaneamento digitalizado da folha de 23 milhões de anos
Escaneamento digitalizado da folha de 23 milhões de anos - Jennifer Bannister/University of Otago

Uma equipe de pesquisadores realizou um novo estudo contando com a ajuda de impressionantes folhas fósseis de 23 milhões de anos, que revelaram diversas reações com o gradativo aumento de dióxido de carbono na atmosfera terrestre. A análise, publicada na revista Climate of the Past, acrescenta informações sobre a adaptação do trabalho de filtragem das plantas ao longo dos séculos.

A evolução, analisada a partir do Mioceno, foi observada pelos isótopos de carbono preservados pelas folhas, indicando quanto carbono existia na época. As características anatômicas da amostra apontam que o co2 presente no período era de cerca de 450 partes por milhão, que é equivalente a 5 a 6°C mais quente do que nos dias atuais

Em âmbito de comparação, o carbono atmosférico atualmente está em torno de 415 partes por milhão e é previsto a atingir o número registrado pela folha fossilizada apenas em 2040, devido às emissões causadas pelo ser humano em processos industriais e mecânicos. Com isso, foi possível concluir que a Terra já foi mais poluída do que nos dias atuais.

As amostras utilizadas pelo estudo foram coletadas em uma perfuração de 100 metros feita em um leito de lago — seco nos dias atuais — em uma cratera vulcânica, nomeada Foulden Maar, e localizada em Dunedin, na Nova Zelândia. A qualidade da conservação era tamanha que possibilitou a visualização de veias e estômatos — poros responsáveis pela absorção e liberação de ar na fotossíntese.