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Fósseis encontrados em Israel revelam indícios de epidemia do século 6 d.C.

Restos mortais identificados em sepulturas sob uma antiga basílica supostamente narram o impacto da misteriosa doença

Pamela Malva Publicado em 22/11/2021, às 21h00

Fotografia de fragmento da basílica encontrada em Israel
Fotografia de fragmento da basílica encontrada em Israel - Divulgação/ Assaf Peretz/ Autoridade de Antiguidades de Israel

Na última semana, a Autoridade de Antiguidades de Israel revelou uma impressionante descoberta feita na cidade de Ashdod. Segundo o órgão, trata-se de uma basílica bizantina erguida há cerca de 1,6 mil anos e decorada por diversos mosaicos.

Acontece que, de acordo com o Haaretz, os arqueólogos envolvidos no estudo acreditam ter encontrado indícios de uma epidemia de peste datada do século 6 d.C.. Isso porque, além dos mosaicos, a basílica ainda guardava diversas sepulturas.

Escondidas sob a construção, que foi erguida entre os séculos 4 d.C. e 5 d.C., as sepulturas continham inscrições dedicadas a diversas sacerdotisas. Entre os nomes citados pelos epitáfios estavam os de Severa, Sophronia, Theodosia e Gregoria.

Ao contrário de guardarem apenas os restos das sacerdotisas, contudo, os túmulos ainda continham restos mortais de diversas outras pessoas, o que indica que as sepulturas foram reutilizadas em algum momento após a construção da basílica.

Uma análise dos fósseis identificados sob a construção, então, revelaram que, em meados do século 6 d.C., dezenas de pessoas foram enterradas às pressas no local. Enterrados em massa, os corpos ainda haviam sido cobertos com cal, o que, para os cientistas, sustenta a teoria de que os sepultados ali morreram devido à uma epidemia.

Isso porque, naquela época, o cal era utilizado para desinfetar as tumbas que guardavam corpos infectados por uma enfermidade. Ainda mais, os enterros em massa encontrados sob a basílica também sugerem que a região foi impactada por uma forte doença.

"Além da quantidade incomum de inscrições funerárias e o lugar proeminente dado às mulheres, descobrirmos que esta igreja é como um enorme cemitério. Onde quer que escavássemos, encontrávamos estes estranhos montes de esqueletos", revelou Alexander Fantalkin, arqueólogo da Universidade de Tel Aviv e chefe da expedição.

Por enquanto, os estudiosos ainda não conseguiram identificar qual foi a doença que vitimou dezenas de pessoas no século 6 d.C.. Por isso, inclusive, os restos encontrados nas muitas sepulturas devem passar por mais análises laboratoriais.

Ainda assim, os cientistas envolvidos na descoberta acreditam que os fósseis são raros indícios de uma epidemia de peste que tomou conta do Império Bizantino e, em seguida, propagou-se para grande parte da Eurásia. Tudo isso de acordo com escrituras datadas do século 6 d.C. que também relatam as consequências de uma destrutiva epidemia.