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Fóssil de 150 milhões de anos de espécie desconhecida de "avô" dos crocodilos é descoberto

"Tivemos a sorte de ter grande parte do crânio desse animal", disseram os pesquisadores sobre a descoberta pré-histórica feita no Chile

Alana Sousa Publicado em 24/07/2021, às 11h00

Ilustração de como seria o fóssil de 'avô' de crocodilo
Ilustração de como seria o fóssil de 'avô' de crocodilo - Divulgação/Museu Argentino de Ciências Naturais/Gabriel Lio

O Museu Argentino de Ciências Naturais anunciou na última sexta-feira, 23, a descoberta de um esqueleto fossilizado de 150 milhões de anos. O fóssil é de um ancestral até então desconhecido do crocodilo que vemos no mundo atual.

Batizado de Burkesuchus mallingrandensis, a espécie foi encontrada nas montanhas da Patagônia, ao sul do Chile. A descoberta aconteceu em 2014, mas apenas agora, os pesquisadores identificaram o animal como sendo de uma nova espécie.

O espécime está sendo considerado um “avô” dos crocodilos modernos, sendo os únicos exemplares que viveram na região juntamente aos dinossauros. Os bichos mediam cerca de 70 centímetros e comia pequenos animais invertebrados. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Scientific Reports of the Nature.

Ossos coletados de Burkesuchus mallingrandensis / Crédito: Divulgação/Museu Argentino de Ciências Naturais

 

“Os crocodilos jurássicos que viviam em terra não eram maiores do que um gato doméstico e, ao contrário de seus temíveis primos marinhos, sua dieta era baseada em pequenos invertebrados. Não sabíamos nada na América do Sul sobre esses minúsculos crocodilos que habitam poças e lagoas, até encontrarmos os restos de Burkesuchus”, explicou Fernando Novas, do Laboratório de Anatomia Comparada e Evolução dos Vertebrados (LACEV) do Museu Argentino de Ciências Naturais.

Apesar de representar uma importante evidência sobre o passado pré-histórico do Chile, o pesquisador enfatiza que o que a comunidade científica sabe ainda é pouco, e o conhecimento é escasso.

Federico Agnolin, responsável pela descoberta o espécime, disse à Reuters que “o que o Burkesuchus mostra é uma série de traços únicos, que nenhum outro crocodilo tem, porque foram os primeiros que começaram a entrar na água, em água doce”.