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Fóssil revela ataque violento ocorrido há 200 milhões de anos

O choque entre duas espécies do período Sinemuriano foi tão violento que chamou a atenção de pesquisadores

Vanessa Centamori Publicado em 06/05/2020, às 17h22

Fóssil de 200 milhões de anos
Fóssil de 200 milhões de anos - Divulgação / Proceedings of Geologists Association

Graças a um processo natural, durante 200 milhões de anos, uma cena impressionante permaneceu preservada em um fóssil, descoberto na costa jurássica do sul da Inglaterra, no século 19. O material, que finalmente foi analisado, revela uma espécie de lula já extinta (Clarkeiteuthis montefiorei), atacando pequenos peixes Dorsetichthys ficando,  que são semelhantes aos arenques. 

A descoberta foi apresentada na conferência virtual Sharing Geoscience Online, da União Europeia de Geociências. O estudo sobre o fóssil foi uma parceria entre pesquisadores da Universidade de Plymouth; Universidade de Kansas e a empresa The Forge Fossils.

Os especialistas acreditam que os animais fossilizados sejam do período Sinemuriano, que ocorreu aproximadamente entre 190 e 199 milhões de anos atrás. Em comunicado, Malcolm Hart, professor emérito de Plymouth, revelou que o fóssil é bastante incomum. "Eventos de predação são encontrados muito ocasionalmente no registro geológico", explicou. 

Segundo o professor, o ataque entre as duas espécies foi tão violento que causou a morte de ambas, preservando por fim os animais por muito tempo. A agressão foi tanta que os ossos da cabeça dos peixes pequenos foram quase que todos esmagados pela lula. 

Fóssil em detalhes / Crédito: Divulgação / Proceedings of Geologists Association

 

A posição dos braços da predadora, por sua vez, enrolada ao lado do corpo dos peixes, sugere que sedimentos caíram sob a caça logo após o ataque. Além disso, a lula pré-histórica tinha olhos grandes demais para o seu estômago.

Com isso, os peixes podem ter ficado presos na boca da lula, matando a criatura que apenas queria almoçar. Mesmo quando os peixinhos levaram a melhor, eles também tiveram um triste fim: com a queda dos sedimentos, morreram logo em seguida. 

Porém, os cientistas levantaram uma segunda hipótese para explicar a morte dos peixes. Eles também podem ter sido levados até o fundo do mar pela predadora, em um método de caça apelidado de afundamento por distração.

Em outras palavras, a lula, em uma tática inteligente, pode ter fingido afundar para evitar ser morta por outro predador faminto que estava por perto. De quebra, ela mataria os peixes que queria comer. No entanto, a estratégia deu errado: ela também enfrentou a morte quando ficou sufocada, cheia de peixes na boca, em águas fundas e pobres em oxigênio.