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Foto de mulher na mira de uma arma do Talibã se torna viral nas redes sociais

O protesto aconteceu na terça-feira, 7

Luíza Feniar Migliosi Publicado em 08/09/2021, às 10h43

Mulheres protestando no Afeganistão
Mulheres protestando no Afeganistão - Divulgação/Youtube ABC News

Uma mulher, que tem apenas uma garrafa de água nas mãos, mantém sua posição ereta enquanto está na mira de uma arma do Talibã.

A foto foi registrada no protesto liderado por mulheres no Afeganistão e se tornou viral nas redes sociais, segundo o jornal Independent.

Muitos usuários utilizaram a foto para exemplificar o conflito do país, em que as mulheres e outras minorias de gênero enfrentam dificuldades para manter os direitos de liberdade básicos em um regime com histórico contraditório.

Por meio de uma barreira de resistência, semanas depois do domínio Talibã, as mulheres afegãs iniciaram protestos poderosos em Cabul, mesmo com os militantes espalhados por várias guardas ao longo da capital e tentando controlar as manifestações.

Centenas de mulheres protestaram, na terça-feira, 7, contra o suposto envolvimento do país vizinho, o Paquistão, nos assuntos administrativos internos do Afeganistão. Em inúmeros pontos da cidade, os combatentes do Talibã deram tiros para o alto na tentativa de interromper os protestos e assustar os cidadãos.

Muitas mulheres saíram às ruas sabendo do possível risco de danos físicos por parte do Talibã, que não permitiu a presença feminina em espaços públicos durante seu último regime.

Os protestos são vistos como a primeira instância de oposição ao regime do Talibã, que anunciou a formação de seu gabinete exclusivamente masculino na terça-feira, quase um mês depois da saída dos EUA, encerrando a guerra de 20 anos no território. Até o momento, ninguém ficou ferido nos protestos.

O gabinete de militantes formado apenas por homens gerou mais protestos no país na quarta-feira, 8. Em sua regra anterior, o ultra religioso Talibã proibia meninas e mulheres de frequentar a escola e trabalhar. Os membros do Talibã tinham punições rígidas para aqueles que infringissem as regras, com muitas execuções públicas ocorrendo também.

Pouco depois de capturar Cabul, um porta-voz do Talibã disse que as mulheres deveriam ficar dentro de casa, já que muitos combatentes ainda não haviam sido “treinados” para não as ferir.