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Funcionária de TV russa invade jornal com cartaz: 'Eles estão mentindo para você'

Em protesto contra a guerra entre Ucrânia e Rússia, Marina Ovsyannikova interrompeu a transmissão ao vivo do jornal noturno do canal

Redação Publicado em 15/03/2022, às 10h53

Marina Ovsyannikova em protesto na TV russa
Marina Ovsyannikova em protesto na TV russa - Divulgação/Youtube/Guardian News

Uma editora que atua na televisão estatal russa Channel One fez um protesto contra a guerra entre Ucrânia e Rússia ao invadir a transmissão ao vivo do principal noticiário do canal gritando contra o conflito e segurando um cartaz.

Marina Ovsyannikova interrompeu o noticiário noturno na última segunda-feira, 14, enquanto entoava “Pare a guerra. Não à guerra” e mostrava uma placa com a mensagem: “Não acredite na propaganda. Eles estão mentindo para você aqui”. Além de “Russians against the war”, em inglês (“russos contra a guerra”, em tradução direta).

Em uma tentativa de barrar a manifestação da funcionária, a âncora de notícias continuou lendo o teleprompter, mas em um tom mais alto para abafar a invasora. Após falhar, o canal mudou a transmissão para um segmento gravado.

Em um vídeo pré-gravado através do grupo de direitos humanos OVD-Info, Ovsyannikova afirmou que tinha vergonha de ter trabalhado para a emissora estatal e por espalhar o que caracterizou como “propaganda do Kremlin”, conforme repercutido pelo jornal The Guardian.

“Infelizmente, por vários anos, trabalhei no Channel One e na propaganda do Kremlin, estou muito envergonhado disso agora. Vergonha por me permitirem contar mentiras na tela da televisão. Vergonha por ter permitido a zumbificação do povo russo. Ficamos em silêncio em 2014, quando isso estava apenas começando. Não saímos para protestar quando o Kremlin envenenou [o líder da oposição Alexei] Navalny”, afirmou.

Ela continuou: “Estamos apenas observando silenciosamente esse regime anti-humano. E agora o mundo inteiro se afastou de nós e as próximas 10 gerações não poderão se limpar da vergonha desta guerra fratricida.

"O que está acontecendo na Ucrânia é um crime e a Rússia é o agressor. A responsabilidade desta agressão recai sobre os ombros de apenas uma pessoa: Vladimir Putin”, declarou Ovsyannikova, que incitou os russos a irem a protestos.

Segundo a OVD-Info, ela foi presa logo após a manifestação na emissora e foi detida no centro de televisão Ostankino. A mulher teria sido levada até uma delegacia de polícia de Moscou e pode enfrentar acusações por encorajar “agitação civil”, por praticar atos públicos que “desacreditem do uso das forças armadas da Rússia”, além da divulgação de “notícias falsas” sobre os militares russos.