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Futuras bases na Lua poderão ser construídas com urina de astronautas

Cientistas acreditam que uma mistura de solo lunar, água e ureia do xixi será uma ótima alternativa para missões espaciais

Vanessa Centamori Publicado em 30/03/2020, às 17h29

Imagem ilustrativa de como serão as bases lunares do futuro
Imagem ilustrativa de como serão as bases lunares do futuro - Divulgação

A exploração da Lua é de extrema importância pois é o primeiro passo antes de colonizarmos Marte e depois o resto do Sistema Solar. O uso de aparelhos tecnológicos de ponta e os ingredientes certos são decisivos para o sucesso dessa jornada. Mas a aventura custará caro, e cientistas apontam que até mesmo o xixi dos astronautas será de grande valor. 

Atualmente, os custos estimados para transportar uma carga de apenas 450 gramas ao espaço é de $10 mil dólares (mais de 51,7 mil reais, na atual cotação). Então, os pesquisadores procuram alternativas mais baratas para diminuir os gastos das missões espaciais. 

Um time de pesquisadores da Noruega, Espanha, Holanda e Itália, em cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA), descobriu que uma excelente opção é a urina humana, que pode ser usada como plastificante, na construção de estruturas de concreto. A descoberta aparece em um estudo, publicado no jornal científico Journal of Cleaner Production

Os cientistas planejam utilizar o xixi  para encorporar o concreto feito com pedras lunares, fazendo com que a mistura fique macia - e depois mais flexível, quando seca e endurecida. Desse modo, o material poderá ser formatado do modo mais desejável, sem que haja a necessidade de fazer buracos em pedras sólidas. 

“Para tornar o geopolímero em concreto que será usado na Lua, a ideia é usar o que existe: regolito (material solto da superfície da lua) e a água do gelo presente em algumas áreas”, disse em comunicado, o professor Ramón Pamies no Universidade Politécnica de Cartagena.

Imagem promocional da missão Artemis, da NASA, que irá levar a primeira mulher a pisar na Lua, em 2024 / Crédito: NASA

 

Na urina, existe um componente chamado ureia, que é capaz de quebrar pontes de hidrogênio, reduzindo a viscosidade de soluções que contenham água. Para testar essa propriedade, os pesquisadores misturaram a ureia com uma composição parecida com o solo lunar e acrecentaram água.

Eles conseguiram imprimir uma estrutura em 3D com base nessa mistura antes dela alcançar 80ºC. Isso mostrou que a invenção suportaria até mesmo o calor brutal do Sol em solo lunar. 

A exposição a ciclos de frio também não impediu que o material secasse e suportasse pesos pesados em gravidade baixa. Mais testes, porém, ainda deverão ser feitos. Por enquanto, não é possível saber se a ureia e a água deverão ser separadas de outros componentes da urina, ou ainda se os astronautas farão xixi no mesmo vaso para construir as suas casas lunares.