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Gauleses faziam troféus das cabeças dos inimigos, revela pesquisa

Nova pesquisa aponta que povo do (ficcional) Astérix utilizava resinas para fazer de troféus as cabeças dos inimigos

Mariana Ribas Publicado em 08/11/2018, às 12h26 - Atualizado às 15h06

Crânios dos inimigos dos Gauleses encontrados em La Cailar, na França
Crânios dos inimigos dos Gauleses encontrados em La Cailar, na França - Folheto

Os gauleses, os antigos habitantes celtas da atual França, se tornaram populares pelos carismáticos Astérix e Obélix, dos quadrinhos e desenhos de Uderzo e Goscinny. Na vida real, o que eles faziam não poderia passar em programa de criança. Mas os romanos tinham razão de ter medo.

Textos antigos fazem referência a um hábito aterrorizante dos gauleses: eles costumavam pendurar as cabeças dos inimigos nos pescoços de seus cavalos. Esse colar macabro era ótimo para relembrar a vitória em batalha e assustar outros povos. As cabeças seriam mantidas preservadas, para garantir que todos comprovassem a identidade do inimigo abatido. Mas não se sabia se esses guerreiros realmente conseguiam embalsamar suas vítimas.

Agora um estudo da Universidade Paul Valéry, de Montpellier, publicado pelo Journal of Archaeological Science, concluiu que, sim, os gauleses não só decapitavam e penduravam: eles também embalsamavam as cabeças. E identificou o método: eles usavam diterpenóides, substâncias extraídas da resina de árvores coníferas. Só não se sabe ainda se as cabeças eram mergulhadas na resina, ou se ela era aplicada em camadas, uma ou várias vezes.

Para chegar a essa conclusão, os especialistas coletaram, na região de Le Cailar, no sul da França, 11 pedaços de crânios com marcas de decapitação. E comprovaram que seis deles continham a substância. "Os textos antigos diziam que apenas os inimigos mais poderosos e os inimigos mais importantes estavam embalsamados”, afirma Réjane Roure, co-autora do estudo. 

Conhecidos por seu poderio militar, os gauleses habitaram a região que hoje corresponde a França, Itália e Bélgica. Ocupavam dezenas de vilarejos. Os principais foram derrotados pelo romano Júlio César, no século 1 a.C. O próprio líder de Roma registrou por escrito os feitos militares impressionantes de seus inimigos, conhecidos pelo poder de sua cavalaria.