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Ginecologista francês é acusado de violentar mulheres

Emile Daria era conhecido como um médico renomado

Redação Publicado em 23/09/2021, às 10h36

Emile Darai
Emile Darai - Divulgação / vídeo / Youtube / NES Formation

O renomado médico francês Emile Daraï, que atua como chefe do centro de endometriose do Hospital Tenon, localizado em Paris, está sendo acusado de violência por várias de suas pacientes. Conforme informou o G1 com base em uma reportagem do site Franceinfo, as mulheres relatam terem sido violentadas física e verbalmente pelo profissional.

Segundo a fonte, algumas das vítimas têm chamado Darai de "açougueiro", enquanto outras chegam a compará-lo a um "veterinário".

Uma das pacientes relatou à imprensa francesa que realizou um exame com Emile no ano de 2014, segundo ela, o procedimento foi realizado de maneira nada delicada. A violência, segundo a mulher, foi tamanha, que os pontos de uma operação recente acabaram rompendo.

"Senti uma dor extrema, senti que estava sangrando, comecei a me debater e soltei um grito. Ainda sinto no meu corpo uma parte dessa sensação. A gente não esquece esse tipo de coisa", conta a vítima, que revela que saiu do consultório chorando na ocasião.

Semanas depois do ocorrido, ela relatou os atos violentos do ginecologista ao Conselho Regional de Medicina e o hospital Tenon por meio de uma carta:

"Os gestos do médico são particularmente chocantes e suas práticas deontológicas são questionáveis. Sofro de uma endometriose ginecológica e digestiva e estou habituada a exames vaginais e anais", dizia o texto.

"Nunca recusei esse tipo de gesto sem ter uma boa razão para isso, e estou acostumada à dor que esses exames normalmente provocam. Durante toda minha trajetória de paciente, nada se compara à violência do exame de toque retal imposto pelo Dr. Daraï", denunciou a mulher.

O clínico-geral da vítima também escreveu uma carta para o especialista, afirmando que sua paciente estava em "estado de choque". A situação foi tão extrema que a mesma teve de ser submetida a uma nova operação para tratar das fissuras provocadas durante o exame.

Segundo o Franceinfo, uma estudante que atuava como residente no hospital afirma ter presenciado uma cena de abuso contra uma outra mulher. "Tive vontade de chorar. Tinha acabado de assistir a um estupro e não disse nada", declarou a jovem.

Já outras testemunhas afirmam terem ouvido comentários de extremo mau gosto proferidos pelo médico durante cirurgias para retirada de tumores do ovário. De acordo com a fonte, uma investigação conjunta será realizada pelo hospital Tenon e pela faculdade de medicina da Sorbonne para apurar as denúncias.